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Alimentação saudável na infância, um fruto a ser colhido na vida adulta

Li um reportagem no Estadão muito interessante esses dias onde dizia que a alimentação na primeira infância afeta o QI.


Fico um pouco receosa com esse tipo de reportagem, pois como sou biomédica e trabalhei com pesquisa científica, sou bastante criteriosa para aceitar certos tipos de resultados. Tenho minhas objeções à essa pesquisa apresentada, mas gostei doa abordagem da matéria.


Nessa reportagem foi feita uma pesquisa com 14 mil crianças inglesas onde constataram que aquelas que haviam recebido uma alimentação saudável até os 3 anos de idade tinham um QI mais alto.


Não sei quais os critérios dessa pesquisa (pois não achei o artigo original) mas a reportagem é válida para chamar nossa atenção para a alimentação dos nossos filhos.


Sou daquelas mães que chamam de "chata", pois me preocupo e muito com tudo o que meus filhos comem, pode ser porque sou também técnica em nutrição, mas para mim a educação alimentar é muito importante.


Como já disse em posts anteriores, quando meus filhos nasceram meu objetivo sempre foi dar o melhor que posso para eles, em todas as áreas e isso incluiu a alimentação.


Amamentei meus dois meninos até o sexto mês exclusivamente (o que não foi fácil) e depois, conforme orientação da pediatra e livros sobre alimentação infantil comecei a introdução dos alimentos sólidos. Muitas amigas me criticavam, pois a maioria já ofereceu outros alimentos aos seus filhos no 3o ou 4o mês, ouvi coisas bem desagradáveis, mas fui contra todas e segui o que achava ser o melhor para eles.


A introdução desses alimentos também não foi fácil, pois o Davi não aceitava nada de modo nenhum! Foi bem difícil, ele só foi começar a comer aos 18 meses, foi 1 ano de lutas, angústias e sofrimentos, porém sempre me mantendo firme às minhas convicções, só oferecia legumes, verduras, frutas, peixe pelo menos 1 vez por semana e grãos só integral. Doce nem pensar, só depois dos 2 anos.


Com o Daniel segui a mesma linha, e a introdução da alimentação no 6o mês foi um pouco mais tranquila, ele já comia melhor, mas resistia um pouco aos novos sabores (como qualquer criança). Ele foi introduzido aos "doces" (quando digo doces significa bolacha de maizena e suco de soja em caixinha, nada de brigadeiros, bolos ou bolachas recheadas) um pouco mais cedo, isso devido ao princípio de desnutrição que teve por ficar internado 10 dias no hospital por uma pneumonia gravíssima que teve, passou por 2 cirurgias e perdeu mais de 1kg com apenas 1 ano e 3 meses. Nesse caso fui um pouco mais flexível para ele ganhar peso.


Agora meus filhos estão com 4 e 2 anos, e o que posso dizer é que foi sim difícil oferecer somente alimentos saudáveis com esse bombardeio de propagandas e palpiteiras de plantão, mas hoje vejo o resultado e fico feliz. 


O Davi não gosta de doce (isso mesmo, uma criança de 4 anos que não come bolo nem chocolate), tanto que chorou e muito quando recebeu de presente uma caixa de bombons, já o Daniel come alguma coisa, mas também não é fanático e troca com prazer um pedaço de bolo por um bom prato de arroz, feijão e legumes!


Sei que quando crescerem vão comer guloseimas e afins, mas a base de saúde deles já foi estabelecida.


Não sei se terão um QI mais alto por isso, como disse a pesquisa, mas sei que fiz tudo o que eu podia para que eles tivessem uma boa educação alimentar, e isso sim dura a vida toda.


Tenho que admitir que sem a ajuda do Flávio (meu marido) que sempre me apóia em tudo que faço, eu não teria resistido tanto, acho esse apoio a base para tudo dar certo em nossa família.


Não quero julgar ou criticar outras mães por não fazerem como eu, sei de casos que a criança precisava ser alimentada com guloseimas por ordem médica. Eu mesma já fui MUITO criticada por agir desse modo e sofri muito com isso, mas como sempre digo, temos que fazer o que achamos de melhor para nossos filhos.  Para o Davi e o Daniel isso é o melhor que EU posso fazer.


E postarei depois o esquema de alimentação que fiz com eles, com algumas receitas e dicas de alimentação.


Até breve!

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