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Respeito deve vir desde o berço

Estava lendo os posts da Rede Mulher e Mãe da semana passada e me deparei com um post que gostei muito.


O texto discorria sobre respeitar nossos filhos e não tratá-los como "bobões", não infantilizá-los demais pois não é porque são crianças que não entendem o que falamos. E me identifiquei muito com o texto pois desde que o Davi nasceu o trato de maneira respeitosa.


Quando estava grávida comecei a ler aquele livro de "O que Esperar Quando se Está Esperando", a maioria das minhas amigas grávidas leram, então resolvi fazer o mesmo. Mas eu não consegui nem chegar na 10ª semana, pois esse livro só descreve as tragédias que podem acontecer na gestação. E como sou MUITO encanada (pois como disse sou profissional da área da saúde e sou meio desesperada mesmo), parei de lê-lo rapidinho.


Mas queria me inteirar mais dessa minha nova fase de mãe, e pensei que como não tinha a mínima experiência com bebês resolvi que deveria ler mais sobre quando o bebê chegasse (pois por mais legal que fosse a gestação, ela iria ter um fim, mas minha vida de mãe estava só começando) e como sempre gostei do programa e dicas da Tracy Hogg que passavam no Discovery Home and Health, decidi comprar seu livro, para saber mais sobre como cuidar de um bebê.


E lá tive realmente muitas dicas valiosíssimas (que farei um post para cada uma que achei mais interessante). Uma delas foi que devemos sempre respeitar o bebê, pois não é porque ele é só um bebê que não deve ser respeitado, ele, apesar de tão pequeno, já é uma pessoa! Ela mesmo quando ia visitar uma casa, a primeira coisa que fazia era se apresentar para o bebê, dizendo seu nome e o que tinha ido fazer em sua casa.


Achei bem interessante essa afirmação: O bebê, apesar de tão pequeno, também é uma pessoa" e isso não saiu da minha cabeça. Eu e meu marido resolvemos fazer o que ela sugeria.



Logo que o Davi saiu da maternidade, apresentamos toda a casa para o Davi, todos os cômodos e enfatizamos seu quarto, berço e suas coisinhas, e que apesar de tão pequeno e novinho, aquele seria seu cantinho. Parecíamos 2 bobos andando e falando com um bebê de 3 dias, mas para nós aquilo fazia sentido.


E conforme o Davi foi crescendo sempre agíamos da mesma maneira, tudo explicávamos a ele, desde o porquê ter que comer, tomar banho, onde iríamos passear, claro que sempre com uma linguagem bem simples mas nunca em 'linguagem infantilizada" (como bilu-bilu, gugu-dadá….isso quem falava era ele…).


E logo engravidei novamente, o Davi tinha apenas 1 ano e 3 meses, e como sempre, tentamos explicar tudo o que estava acontecendo, porque minha barriga crescia e o que pretendíamos fazer quando seu irmãozinho chegasse e que ele não deveria se preocupar, pois o Daniel não tomaria seu lugar. E mesmo sem falar ele parecia entender o que estávamos falando, não sei explicar, mas sentia paz no olharzinho do Davi.


Com o nascimento do Daniel, as coisas não poderiam ter sido melhor. Foi tudo perfeito. O Davi amou o irmão logo na primeira visita, então percebi que ele realmente tinha entendido o que eu havia lhe explicado, pode ser que não tudo, mas o mais importante pra ele ele sabia, que não perderia o seu lugar. Não sei se foi só por causa das nossas conversar com ele, mas senti que aquilo facilitou muito na interação dos dois irmãos.


Com o Daniel procedemos da mesma maneira, sempre explicando tudo e conversando muito com ele. 


Também por isso nunca gostei que pegassem muito meus filhos no colo quando bebês, pois eles não eram "cachorrinhos"para passarem de mão em mão, eram bebês e precisavam ser respeitados!


Hoje percebo que essa pode ser uma das minhas atitudes mais acertadas, pois tenho 2 meninos em casa muito compreensíveis. Até mais compreensíveis que muito adulto que conheço.


Não sei se foi só pelo que fizemos, ou o quanto a personalidade deles contribuiu para isso, só sei que mesmo quando contrariados, nós conversamos com eles e eles entendem (o Davi mais que o Daniel, pois ele entrou na fase de querer mostrar independência), e conseguimos tudo deles, sempre na base da conversa.


E o que é bom é que eles sabem que sempre podem confiar em nós, seus pais, pois sempre iremos dizer a verdade, mesmo que não seja boa, de um jeito que eles entendam. Nunca iremos mentir para eles, pois como já disse antes somos presbiterianos, e a mentira não entra na minha casa (sou muito criticada pois falo até da não existência de Papai Noel, coelhinho da páscoa, fada do dente…sei que muitos não concordam, mas esse é NOSSO jeito de educá-los). 


E vejo que com essa nossa atitude eles se sentem respeitados e com isso será natural eles respeitarem as outras pessoas, se tornando bons cidadãos, sem preconceitos e racismos.


Portanto não invente histórias para falar de assuntos desagradáveis, não minta, pois ele é capaz sim de entender muitas coisas, fazendo isso ele se sentirá respeitado, e você terá uma criança feliz em casa.


E você já pensou nisso? Você o respeita como uma pessoa? Se não tente, tenho certeza que vai se surpreender!

11 comentários:

Glauciana Nunes disse... [Responder o Comentário]

Muito bom, Elaina, querida
Essa percepção de que eles são indivíduos e que merecem respeito, apesar da pouca idade e maturidade intelectual, é fundamental para criarmos seres que também respeitam o próximo.
Parabéns!
E uma beijoca bem gostosa em todos vocês.
Glau
@redemulheremae e @BlogCoisadeMae

Thaty disse... [Responder o Comentário]

Gosto disso. Também trato meus filhos como seres e não como bobões. Claro que tento ao máximo dar a eles a chance de serem crianças e fazerem coisas que crianças fazem, pra não serem adultos frustrados e querendo fazer o que deviam ter feito na infância, né? rs Mas é muito bom ver como nossos filhos são inteligentes e nos compreendem.

Beijos

Ninon disse... [Responder o Comentário]

Oi Elaina!!

Também li o livro da Tracy Hoog quando estava esperando o Pedro e quando ele veio para casa também fiz a apresentação da casa toda para ele e para a Natália também. Sempre respeite e exijo de todas as pessoas que nos rodeiam que os tratem como pessoas, com vontades, atitudes e dúvidas que sempre devem ser esclarecidas. Sou fã de Friends e tem um trecho de um episódio em que a Rachel (Jennifer Aniston) ganha nene e o Joey (Matt Leblank) olha para o bebe e diz que ela parece uma pessoa de verdade. Todos ficam olhando para ele e ele diz que sabe que é uma pessoa de verdade, mas é que é tão pequenina... acho um comentário tão bonito e simpático. Quem viu deve concordar comigo... rs
E eu não canso de postar no meu blog o como me surpreende a inteligência das crianças e como eles se desenvolvem rapido!!!
Adorei seu post e vou citá-lo no meu blog.

Bjos querida!!!

Ana Amaral disse... [Responder o Comentário]

A minha filha passou de colo em colo. Mas eu tenho que me perdoar porque tive depressão pós parto e se eu não fizer isso a culpa nuuuunca vai embora.

A encantadora de bebês era minha bíblia! A parte que eu mais curti era a de que deveríamos dizer ao bebê o que iria acontecer do tipo, agora a mamãe vai trocar a sua fralda, agora a mamãe vai colocar uma meia do no seu pé.

Sim, porque são pessoas desde pequenas e merecem toooodo respeito do mundo.

um beijo!!

Ana Amaral
maedevenus.blogspot.com

Mix Martins disse... [Responder o Comentário]

Sou dessa turma também! Sempre trato meu bebê como uma pessoa e não um idiota, sabe?
Odiei quando fui pra um aniversário da minha cunhada e o Kairos estava doentinho e todo mundo falando pra eu ficar e eu disse que ia embora. As pessoas me criticaram e eu disse: "Se fosse tu que tivesse com febre, tu num ias querer ir pra casa, pra cama e ficar quietinho? Então pronto."


Um abraço
#amigacomenta

Anônimo disse... [Responder o Comentário]

Acho muito legal esse tipo de postura.

Eu optei pela fantasia pra coisas como Papai Noel, Fada do Dente, etc, mas também porque pretendo lidar com isso mais tarde da mesma forma que meus pais lidaram comigo, e eu achei bacana e juro que fiquei muito desapontada.

Papai Noel, por exemplo, meu pai explicou que era uma fantasia bonita que torna estes eventos mais divertidos e alegres, mas que não é por não existir trenó mágico que não tem um Papai Noel. E disse pra mim que Papai Noel era qualquer um que nos presenteasse com amor, por mais singelo que fosse o presente. Que era mais que presente, era o espírito de doar e etc. E me levou pra ser, com ele, Mamãe Noel em um orfanato. Foi um Natal super legal aquele e eu me senti ótima!

Agora, tirando essa parte de fantasias e tal, eu não minto em absoluto pra Luisa. Não escondo, nem invento nada. É a melhor coisa que a gente faz por eles, né?

Beijocas!

Jackie disse... [Responder o Comentário]

Sabe eu não fiz assim com o Davi, nem pensei nisso sabe... não tive muito tempo pra pesquisar e sem dúvidas é tão dificil criar uma pessoa!!!!!! uns posts atrás eu escrevi sobre respeito mas de outra maneira.... sobre o respeito que os pais exigem do filho mas não dão de volta! Sou contra ficar gritando com a criança e depois exigir que a criança não grite!! e coisas assim, criança tem que ser respeitada em primeiro lugar para aprender o que é respeito!!!!
Parabéns pelo post e daqui pra frente vou testar explicar mais coisas pro Davi mesmo que ele seja tão pequeno. Beijos!!!!!!!!!!!!!!!!!

Karin - @karinpetermann disse... [Responder o Comentário]

Interessante a parte de se apresentar pro bebê!
Eu acho que quando tratamos eles de forma apenas infantil estamos dizendo pra eles que eles não são capazes de nos entender.
Quanto a isso, sempre pensei que eles nos entendem muitooo bem, alem do que podemos imaginar.

gostei do seu post. bem valido!

bjks
Karin - @karinpetermann

www.mamaeecia.com.br

Anônimo disse... [Responder o Comentário]

Eu não gosto q mintam ou inventem histórias pra minha pequena, minha mãe tem um mania... vai trocar fralda pra passear pq sabe q assim a cat vai, mas gente? eu não vou passear com ela... e daí tenho q explicar e ela chora... bem pouco mais chora.
outra coisa, fingir q está chorando pra conseguir um abraço ou um beijo... ué, se a criança não quer te abraçar, azar...
tento sempre manter o respeito em relação a minha filha, não gosto de mentiras nem chantagens...
eu queria ter lido esse livro e ter feito o q vc fez com os seus pequenos.
beijocas

Roteiro Baby disse... [Responder o Comentário]

Também gostei, Elaina.
Obrigada por compartilhar. Gosto desse tipo de reflexão e quero muito ver seu post para a blogagem coletiva que a Carol propôs sobre Maternidade REal.
Vi lá no blog dela que vc pretende escrever...
Espero que você goste do meu.
Até mais,
Iza

Amanda L. disse... [Responder o Comentário]

Elaina, descobri seu blog hj e estou encantada! Pretendi ler com calma muitas das suas postagens e absorver para mim o melhor da sua expericência. Estou esperando meu primeiro bb e como todas, as dúvidas são muitas.

Tive um especial carinho com essa postagem sua, pq me lembrei da minha infância. Desde cedo, eu tinha curiosidade pela conversa dos adultos e me lembro de entender praticamente tudo o que comversavam. Lembro tbm de ser tratada sem importância por muitas vezes, por parentes e amigos dos meus pais. Por memória pessoal, posso dizer que isso fica gravado na memória e até hj não tenho interesse por essas pessoas, seja em termos de amizade, conversa ou qq coisa. Cresci com o pensamento que vc afirma aqui: criança tem que ser respeitada! Ela tem vontade e consciência.