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Vamos ensinar solidariedade para nossos filhos?

Esse foi para mim um carnaval diferente. Nunca gostei mesmo de carnaval, então sempre optamos por viajar ou fazer programas não relacionados com a data em questão. Como este ano compramos nossa casa, por questões financeiras resolvemos ficar em São Paulo, que por sinal fica uma delícia vazia.

Passeamos com os meninos, fizemos churrasco, fomos ao Ibirapuera, mas o que realmente me marcou nesse carnaval foi uma história muito tocante, que conheci pelo twiter e acabei chegando ao blog da .

Passei o carnaval (ou os momentos que meus meninos iam dormir) lendo esse blog, com ele eu ri, chorei, me emocionei…e também me fez pensar e muito sobre minha vida de mãe.
Antes dos meus filhos nascerem, só precisava me preocupar comigo e com meu marido, depois que o Davi e o Daniel chegaram em minha vida, conheci o amor de mãe, que não se pode explicar a quem não tem filhos. É um amor de doação, diferente de tudo que eu já havia vivido, é delicioso, também cheio de preocupações e incertezas e que nos traz uma força que nem imaginávamos que poderíamos ter, e aprendemos muitas coisas também.


Com a história da Ana Luiza lembrei-me de quando o Daniel ficou muito doente. Não ouso comparar o que me aconteceu com o que a Carolina está passando, mas sei bem o que é ter seu filho doente em uma cama de UTI.


Foi exatamente em março do ano passado, o Daniel tinha apenas 1 ano e 2 meses, eu tinha acabado de voltar para a faculdade para fazer meu mestrado (que acabei desistindo depois que tudo passou) e o tinha colocado na escola.


Para resumir a história, ele teve uma tosse que não ia embora nunca, o que acabou resultando em uma pneumonia. Começamos com um antibiótico mas depois do quarto dia com febre alta a pediatra resolveu trocar de antibiótico, então deveríamos esperar mais três dias para a febre ceder e no terceiro dia ele estava muito estranho, não parava de chorar, só vomitava e eu já estava dando remédio contra o efeito colateral dos outros remédios, e para mim isso só em casos muito extremos. 


Então resolvemos levá-lo para o hospital Sabará na manhã seguinte, isso era um sábado, o PS estava lotado, esperamos quase 2 horas para sermos atendidos, e quando a plantonista olhou para o Daniel pediu um raio x de urgência (aí já fiquei tensa) e queria vê-lo assim que ficasse pronto. Não demorou 5 minutos a médica já nos chamou e disse que o Daniel (meu bebezinho de 1 ano e 2 meses) teve um derrame no pulmão devido a grave pneumonia, ele deveria ser internado imediatamente para uma cirurgia para drenar o líquido do derrame, e dependendo do que encontrassem ele deveria ficar com um dreno no pulmão até todo o líquido sair, e que para tudo isso ele ficaria na UTI.


Naquela hora meu mundo parecia que ia desabar! Como sou da área médica sei de muitas coisas que podem acontecer, o que só piorava a situação (tem uma frase que meu marido usa que eu acho muito boa, "a ignorância é uma bênção"!) E fiquei me perguntando como que tudo isso aconteceu? Será que foi minha culpa? Será que eu poderia ter evitado? Muitos "serás" passaram pela minha cabeça, mas o fato era, meu menininho iria para a UTI naquele momento e mais tarde seria submetido a uma cirurgia no pulmão! E não era só isso, o Davi, o meu filho mais velho (que tinha 3 anos na época) também estava com pneumonia e também havia acabado de trocar o antibiótico (mas o caso dele foi por alergia ao primeiro), mas ele estava bem, já sem febre e com tosse só residual.


Mas graças a Deus que tenho um marido maravilhoso e que me deu todo suporte, cuidou do Davi maravilhosamente bem, em casa tentava suprir a falta que eu fazia por estar no hospital com seu irmão, o qual ele também sentia falta. E também temos amigos maravilhosos que não pararam de orar pelos dois em nenhum momento.


O Daniel foi submetido a duas cirurgias, pois na primeira o dreno entupiu e ele teve que fazer outra para trocar o dreno, teve suspeita de insuficiência respiratória e quase foi entubado (imaginem uma criança de 1 ano entubada, isso não é nada bom). Ficou na UTI por seis dias recebendo antibióticos fortíssimos via endovenosa, com o dreno sete dias mas graças a Deus a febre começou a ceder no nono dia de internação, e fomos para casa no décimo primeiro dia.


Nesse período de internação vi e ouvi casos de arrepiar, histórias boas de lutas e superações como também ruins de abandono e descaso. E eu e meu marido tivemos tempo de pensar muitas coisas, a principal foi o porquê tudo aquilo estava acontecendo, pois sabemos que Deus tem um propósito para todas as coisas e que tudo o que acontece é para o nosso bem - E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus Rm8:28a.


Acabamos entendendo o motivo de tudo aquilo, precisávamos aprender muitas coisas, entre elas paciência, esperar em Deus todas as coisas, e que apesar de qualquer circunstância temos que dar graças em tudo - Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1Ts 5:18.


Lendo o blog da Carolina esse feriado, deparei-me com uma mãe sofrendo muito pelo estado de saúde da filha, mas o que realmente me marcou foi a fé, ela nunca perdeu a esperança e seguiu sempre confiando em Deus, ela, no momento crucial do tratamento, onde pegou os exames que mostrariam se a quimio estaria funcionando (e se sua filha estaria nos 80% ou nos 20%) a frase que ela usou foi: "... uma frase não saía da minha cabeça: “Em tudo dai graças”. Eu estava tentando me conscientizar de que mesmo que as imagens não mostrassem o que nós gostaríamos, eu teria que continuar tendo forças. Eu deveria continuar agradecendo a Deus por tudo, inclusive pelas provações.


Ela não estava revoltada com os acontecimentos, mas agradecida pelas pequenas vitórias (o que depois dos resultados se transformou em uma grande vitória) e também pelas provações. Ela também diz que aprendeu muito, a se importar mais com os outros, que apesar de todas as coisas as coisas podem ser piores (pelos casos de abandono e solidão).


Toda essa história foi uma benção pra mim. Vi como pode ser grande nossa força, nossa coragem e a nossa fé de mãe, como podemos aprender ao meio de sofrimentos e como temos um Deus de milagres! Não sei como uma mãe pode suportar um dia de internação de seu filho sem ter Deus ao seu lado. Para mim ter Jesus comigo fez toda a diferença, me fazia sentir que tinha Alguém cuidando do Daniel e isso traz conforto. E percebi que a Carolina também sente Deus cuidando da sua pequena Ana Luiza.


Lendo essa história, lembrando-me de tudo que passei com o Daniel percebi uma coisa, deveríamos ser mais pró-ativas para ajudar outras mães, não simplesmente ajudar pois vimos uma campanha no twiter que ficou famosa, mas deveríamos ajudar sempre, pois quantas outras "Anas Luizas" há lá mesmo no hospital A.C. Camargo que precisam de ajuda mas que não tem como pedir, quantas mães que precisam de uma palavra de consolo mesmo quando não há nada que console.


Nós que somos mães precisamos ser mais solidárias, vamos doar sangue, vamos levar conforto e carinho a quem precisa, sei que todas nós temos vidas corridas, mas se dedicarmos um tempinho que seja, podemos fazer disso um hábito, e tenho certeza que nós iremos fazer diferença, pelo menos na vida dessas pessoas e também estaremos ensinando solidariedade para nossos filhos.


Pretendo ir no hospital no sábado para doação de sangue, eu e meu marido, e mesmo que a Ana Luiza não esteja mais precisando (pois se Deus quiser a medula dela já pegou até lá) outras crianças estarão.


Para quem quiser ajudar a Ana Luiza, aí vai o link com maiores informações: http://vidanormal.blogspot.com/2011/03/nota.html


E aí, quem vai entrar nessa campanha comigo?

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