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Amamentação: uma dificuldade que vale a pena!

Para começar bem a semana do dia das mães e também para comemorar a novidade que teremos no Mulher e Mãe (aguarde que será muito legal) vou escrever sobre minha experiência na amamentação.

Os benefícios da amamentação já estamos carecas de saber, mas citarei alguns:
- É o alimento mais completo para o recém-nascido e o único necessário até os seis meses,
- Diminui a morbi/mortalidade infantil,
- Diminui a incidência de alergia alimentar e outras alergias,
- Melhora a imunidade,
- Diminui risco de obesidade na vida adulta,
- Aumenta o QI,
- A sucção auxilia no desenvolvimento da arcada dentária da criança,
- Econômico (é bem mais barato),
- Aumenta o vínculo mãe-bebê,
- Diminui a probabilidade na mãe de desenvolver câncer de mama,
- Ajuda (e muito) no emagrecimento e volta do peso no pós-parto,

Enfim, são inúmeros benefícios, é só digitar "benefícios da amamentação" no Google que virá muitos artigos científicas, sites médicos e maternos que falam sobre o assunto e por isso descreverei minha experiência. Para mim não foi nada fácil amamentar mas consegui superar todas as dificuldades e amamentei o Davi por 1 ano e 4 meses (parei porque engravidei) e o Daniel amamentei até os 2 anos!
Na minha gestação tinha dois grandes desejos: ter um parto normal e amamentar até os 2 anos, sendo nos seis primeiros meses amamentação exclusiva.

Porém não consegui ter um parto normal, apesar de esperar até a 41ª semana não teve jeito, tive que passar pela cesárea. Isso me deixou arrasada, chorei muito, mas depois percebi que realmente foi o melhor no meu caso.

Assim que saí da cesárea, ainda na sala de recuperação pensei, "Tudo bem, PN não tinha jeito mesmo de acontecer, estava fora do meu alcance, agora só me resta a amamentação". E decidi que não desistiria do meu desejo de amamentar por nada nesse mundo.

Logo que fui para o quarto e o Davi veio para os meus braços já o coloquei para mamar (pois já não o tinha amamentado na sala de parto) e parece que nós dois já sabíamos o que fazer. Foi maravilhoso! Ele pegou o peito de primeira e mamou por 40 minutos. Até a enfermeira ficou impressionada pois disse que isso é muito raro acontecer.

Estava eu feliz da vida pois como na minha cabeça eu achei que a pior parte (que é o aprendizado) já tínhamos tirado de letra, o resto seria fácil… Mero engano…

Quando o Davi foi mamar pela segunda vez, senti que meu bico e auréola doíam um pouco, e meu médico receitou a pomada Lansinoh (que realmente é excelente, recomendo) e já logo comecei a passar. E cada vez que ele pegava o peito doía mais. Cheguei a comentar com a enfermeira que cogitou erro na pega, mas eu via ele mamando e até o ouvia engolir (pois tive sorte nisso também, meu leite desceu no segundo dia de hospital), mas como não tinha experiência, acatei sua sugestão e tentava arrumar a pega, mudá-lo de posição, mas nada parecia melhorar aquela dor que já estava bem forte.

Ao sairmos do hospital verificamos que realmente não era erro de pega, pois o Davi saiu do hospital já recuperando o peso que perdeu ao nascer (também muito raro segundo a enfermeira). Então fui para casa com minha pomadinha e a promessa de que essa dor melhoraria em alguns dias, seria só meu peito acostumar com a amamentação.

Outro engano! Ao passar dos dias essa dor só aumentava, e mais ou menos 1 semana depois a dor já estava quase insuportável, tanto que tomava Lisador antes das mamadas para poder suportar. Era horrível. Meu marido até sugeriu de eu parar de amamentar pois ele não queria mais me ver chorar e sofrer daquela maneira, mas eu sabia que no final iria valer a pena, então me mantive firme e forte.

Não que meu marido não me incentivou, muito pelo contrário, se não fosse por ele acho que realmente teria desistido, ele acordava comigo de madrugada e ficava ali, me olhando, apoiando e me fazendo rir, ele até criou nosso "clube da mamada noturna" onde nós três ficávamos juntos nos curtindo, conversando (e eu chorando de dor). Teve só uma vez que ele cogitou de eu parar de amamentar pois estava com dó de mim, mas expliquei para ele meus motivos e ele nunca mais falou no assunto, somente ficava ali comigo, esse apoio foi essencial.

E como se a dor não bastasse, quando o Davi completou 10 dias ele simplesmente parou de mamar, parecia que havia se esquecido de como sugar. Incrível! Pegou com tanta facilidade na maternidade e, de uma mamada para outra, não sabia mais o que fazer, passei horas com ele nos meus braços tentando reensiná-lo e nada! E isso só serviu para machucar ainda mais meu peito, apesar de não ter fissurado meu bico, a dor era imensa. E passamos o dia e a noite inteira assim. 

No dia seguinte fui à pediatra que me disse que isso pode acontecer, meninos podem se 'esquecer' de como mamar e tem que reaprender e isso poderia levar dias. Mas o bom é que o Davi sempre foi muito forte e ganhava peso com muita facilidade, então a pediatra me acalmou e disse que ele poderia passar por esse processo sem necessidade de leite artificial mas teríamos que acompanhar de perto (graças a Deus que tinha uma pediatra totalmente a favor da amamentação, pois nessa hora o que fui criticada por não dar leite artificial vocês não tem idéia, fui chamada de mãe de merda para baixo).

E assim foi, os dias passaram, o Davi reaprendeu a mamar e não esqueceu mais. Foi ganhando peso (e bastante, ganhava em média 1 a 1,5 kg por mês, só com amamentação), crescendo e consegui minha meta, no dia que ele fez seis meses fomos em uma das consultas de rotina e ganhamos nota 10! Senti muito orgulho de mim, do meu marido (que me apoiou muito) e do meu filho por termos conseguido essa vitória juntos. E quanto aquela dor que eu sentia…bom... essa dor no meu peito durou QUATRO MESES! Isso mesmo! foram quatro meses de dor e sofrimento, mas que valeu muito a pena.

Quando engravidei pela segunda vez já desconfiava que também não teria um PN, mas da amamentação não abriria mão, afinal de contas o segundo é mais fácil, certo? ERRADO!

Com o Daniel foi mais difícil a amamentação, pois apesar dele ter pego o peito com tanta facilidade quanto o Davi, ele mamava pouco e claro que a dor FOI A MESMA! Isso mesmo, tive a mesma dor dilacerante pelos mesmos quatro meses.

E o pior, o Daniel quase não engordava. Tinha que fazer mil peripécias para ele ficar no peito mamando pelo menos vinte minutos. Eu dançava, cantava, o punha de frente para a televisão vendo desenho, colocava despertador para acordá-lo à noite até os 3 meses (pois dormia a noite toda desde os 16 dias, NÃO É MENTIRA NÃO!)…enfim, fazia de tudo e ele engordava o mínimo necessário. 

Ao contrário do Davi (as consultas de rotina dele eram de 45 em 45 dias), tinha que ir na pediatra com o Daniel de 20 em 20 dias para acompanhar o peso de perto, pois se ele ganhasse menos peso teríamos que entrar com reforço (pois poderia prejudicar sua saúde e desenvolvimento), mas como já disse a pediatra dos meninos é pró-amamentação e nos mantivemos firmes até o sexto mês. Não vou negar que senti um certo alívio quando comecei a dar papinhas à ele pois iria começar a ganhar mais peso (o que não aconteceu, mas deixo essa história para outro post).

Porém tudo passou, e hoje tenho dois meninos lindos, fortes, dois tourinhos que vendem saúde e em grande parte por causa da amamentação.

Afirmo que não foi nada fácil, aliás foi muito difícil, quase além das minhas forças, tive muito apoio do meu marido, da pediatra dos meninos e da minha mãe, mas do resto das pessoas, amigas, familiares ouvi muitas coisas ruins, depreciativas, até duvidaram da minha capacidade de ser mãe, mesmo com tudo isso não me deixei abalar e segui em frente e hoje percebo que foi a melhor coisa que pude fazer, tenho muito orgulho de mim mesma por ter conseguido.

Como muitas sabem quero engravidar novamente, quero sim a menininha que tanto sonhei, porém tenho consciência que pode vir outro menino. A única certeza que tenho é que irei amamenta-la(o) assim como fiz com os dois, sei que terei (muita) dor, mas que uma hora passará, mas a saúde deles é para vida toda.

E para você, foi fácil amamentar?

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