Páginas

11

A amamentação na visão do pai


Estou com saudades desse meu cantinho, onde eu partilho das minhas experiências dessa minha vida de mãe, mas com esse barrigão fica difícil ficar sentada em frente ao computador escrevendo…

Estou devendo muitos posts que prometi, como o relato do parto do Daniel (daqui a alguns dias já terei o da Sara), minha vivência da terceira gestação com minhas ansiedades, medos e alegrias… Enfim, tenho muito o que fazer quando a Sara nascer (pois tenho a esperança que ela seja tão boazinha quanto os meninos foram e deixará a mamãe voltar a escrever).
Enquanto isso, meu lindo marido escreveu sobre a visão dele sobre a amamentação para que esse meu espaço não fique tão abandonado.
Espero que gostem, e fiquem a vontade para passarem para seus maridos, pois tem dicas bem legais.

Amamentação
By Flávio Furlan


Quer arrumar a maior confusão com as Twitter-mães? Diga alguma coisa contra a amamentação. Converse com o Marcelo Tas e ele te dará um aula sobre esse assunto.

Eu sou o maior defensor do aleitamento materno. Não sou uma autoridade no assunto, para isso temos a Elaina, mas conheço os benefícios para nossos filhos suficientemente para poder incentivar todas as recém-mamães que estão a minha volta.

Quero deixar aqui minhas impressões de marido que acompanhou as lutas da Elaina nessa árdua tarefa de amamentar.

Nos primeiros dias de vida do Davi, meu primeiro filho, liguei para minha mãe para comentar como estavam as coisas e disse que a Elaina estava sofrendo horrores com as dores da amamentação do Davi. A Dona Cleide então me disse calmamente "é isso mesmo, ser mãe é padecer no paraíso". Em falando de experiência em criar filhos, ela ganha de nós, sendo eu o caçula e quarto filho.

A frase é um chavão bem antigo, mas como a maioria desses chavões reflete muito bem a situação. A Elaina estava radiante com o primeiro filho, por trás de olheiras, seus olhos brilhavam e mostravam toda a sua felicidade - estava no paraíso. Mas quando a via chorando de dor sabia que aquela era a parte do padecer.

Com o Davi eu acordava com ela todas as noites para trocar a fralda do Davi e deixá-lo preparado para a mamada noturna. Inúmeras vezes via suas caras de dor e incontáveis vezes montava a máquina para extrair leite para tentar fazê-la parar de sofrer. Os homens são assim mesmo, somos incapazes de ver um problema e não tentar resolvê-lo. Sendo assim, na minha cabeça a máquina de extrair leite resolveria o problema.

A maioria das mulheres que conheço que ainda não tem filhos morrem de medo das dores do parto. Dores essas citadas até na Bíblia, como uma maldição pela desobediência às ordens de Deus: Em Genesis 3:16 lemos, "E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos;". Mas as mães que já tiveram filhos, mesmo que há muito tempo não se lembram de suas dores do parto, mas das dores da amamentação.

Ver a sua esposa chorar de dor não é nada agradável, mas simplesmente incentivá-la a parar de amamentar não é o melhor caminho. Por sorte a Elaina é muito compreensiva e sabia que eu queria somente ajudar. Ela dizia que tentaria mais um pouco, mais um pouco e mais um pouco. Em alguns dias as dores diminuiram até que praticamente cessaram, salvo quando o Davi a mordia, mas isso já é outra história.

Como marido encentive-a sempre a continuar. Fique ao lado dela na madrugada, mesmo que você tenha uma reunião logo na primeira hora do dia. Café e Red Bull estão aí para isso.

Também não deixe que seu incentivo se torne um exagero e você acabe atrapalhando, obrigando a sua pobre esposa a continuar aquele processo que poderá até ser traumático num possível segundo filho. Outra coisa muito importante, não dê palpites, a não se que ela peça. Vai por mim...

Eu conversava muito com a Elaina para tentar entender seus sentimentos. Sentimentos esses completamente novos para a mamãe de primeira viajem. Então tenha paciência, isso é novo para os três: você, ela e seu bebê.

Em público você é o guardião dela. Na maternidade ou em casa, peça para os visitantes se retirar do recinto, principalmente se houver algum homem. Se for mulher, aconselho a deixar que a sua esposa fale, pois será indelicado. Mas se alguém não a respeitar se ela pedir para sair - geralmente familiares e amigas próximas - você deve agir, pedindo com delicadeza. Se ficarem ofendidos, paciência. A prioridade é a mãe e seu bebê.

Em passeios, fique ao lado dela, ajudando a cobrí-la com um paninho, pois também temos que respeitar a liberdade das outras pessoas que não "apreciam" o ato de amamentar. Eu mesmo, sendo entusiasta do aleitamento materno, fico incomodado em ver outras mulheres dando de mamar em público.

Voltando às dores da amamentação, Se você acha um exagero tudo isso, que esse chororô é obra da bagunça de hormônios dela, faça o seguinte. Fique beliscando seu mamilo durante 30-45min, de cada lado. Daqui duas ou três horas, repita o processo. Faça isso por duas semanas. Eu tentei. Parei no primeiro belisco. Isso ajudou a entender melhor as dores da minha esposa.

No segundo filho foi muito mais fácil, afinal a Elaina já tinha experiência, mesmo assim doeu mais que no primeiro filho. Meu trabalho não havia acabado no primeiro filho. Como o Daniel meu papel foi igualmente importante.

Agora com a chegada da Sara todo o processo será repetido. Eu estou pronto para novamente ser o leão-de-chácara da Elaina, mas meu trabalho será mais de bastidores, pois a ela está bem calejada.

11 comentários: