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Existe menos mãe?

Já tem um tempo que esse post não me sai da cabeça, então vamos lá coloca-lo para fora. E é um tema um tanto "polêmico", mas se eu não puder expressar o que penso aqui, onde vou fazer?

Uns meses atrás li um texto no blog Minha Mãe que disse que me deixou bem pensativa. Esse texto fala que existe sim "menos mãe"e "mais mãe".

Eu sempre defendi que nós somos as melhores mães que nossos filhos poderiam ter (fiz até um post sobre isso aqui), afinal Deus nos escolheu um para o outro e Deus não erra.

Porém depois de ler esse texto e refletir muito em cima acabei mudando de opinião, e acho que há, como diz aquele post, não menos mãe e mais mãe, mas mães melhores e piores.

Explico.
Atualmente existem várias "frentes" em relação à maternidade. Dentre elas as três principais estão explicadas no post que citei e vou transcrevê-las aqui:


 1. A teoria da maternidade ativa e consciente: vê mãe e pai como responsáveis pelos filhos que colocaram no mundo. Esses pais devem buscar as melhores escolhas para seus filhos, mesmo que isso implique sacrifícios pessoais. Estão dispostos a mudar suas rotinas, suas jornadas de trabalho, suas prioridades em nome do respeito à infância.
2. A teoria de que cada um faz o que acha melhor para o próprio filho: essa teoria prefere isentar-se de juízos de valor, mesmo que as mães e os pais que a adotem tenham suas próprias convicções sobre como cuidar de seus filhos. Eles mantêm o discurso ingênuo de que não podemos julgar os outros, e que qualquer maneira de maternar é válida. O problema dessa teoria é que essa isenção não existe. Ainda que, no discurso público, uma mãe sorria para cada atitude das outras mães, por mais bárbaras que elas possam parecer, no fundo não existe ser humano que não reprove internamente atitudes incoerentes com seus próprios valores. Essa teoria rejeita todas as outras teorias, como se teoria não houvesse. Mas a objetividade é um mito, e defender que cada um faz o que acha melhor é puxar o tapete sob os próprios pés.
3. A teoria da culpa zero: essa teoria é a preferida das grandes mídias e agências de publicidade. Ela coloca o adulto em primeiro lugar e, ainda que nem sempre o faça descaradamente, pinta a maternidade como uma tarefa de mártir e a criança como um estorvo. Cozinhar para o filho não pode ser um prazer. Diminuir as saídas à noite para acordar às 6h com as crianças e passar uma manhã aproveitando o sol no parquinho significa abrir mão da própria vida. Recusar uma promoção porque o excesso de trabalho prejudicará o tempo com as crianças é perder a própria identidade.
Como disse sempre defendi (até agora) a segunda teoria, que cada uma sabia o que era melhor para seu filho, mas ao ler isso percebi que eu realmente me "encaixo" na primeira, e é essa que defenderei com unhas e dentes.
Não existe ninguém que não tenha convicções. O que podemos tentar fazer é respeitar a atitude do outro mesmo sendo diferente das nossas, o que continuo fazendo. Mas o que não faço mais é ver uma mãe que simplesmente não quer amamentar por conveniência e ficar calada, por exemplo.
Tenho uma prima que parou de amamentar o filho aos 3 meses de idade para poder emagrecer, e isso para mim é um absurdo! Ela não foi uma boa mãe fazendo isso, pois negou aquilo de melhor que ela poderia dar em benefício próprio. Puro egoísmo.
Também conheci uma mãe que dizia ter pavor de parto normal, iria marcar a cesárea com 36 semanas para não correr o risco de entrar em trabalho de parto, que queria anestesia geral para não ver nada e só conhecer o filho depois dele limpo e trocado. Que horror! 
Sou defensora sim do parto natural/normal. A recuperação é ótima, a criança nascerá no tempo certo, pode facilitar a amamentação, e existe outros milhares de argumentos em sua defesa. 
Porém concordo também que o parto vaginal não garante nenhum tipo de "premiação" no final. Você terá sim que passar por todo o resto do processo de criação do seu filho sem anestesia (é é aí que está todo o mérito da questão). O parto é só a porta de entrada, uma passagem para a maternidade, mas o maternar é para vida toda. Mas daí optar por tirar seu filho antes do tempo por pura "conveniência"ou "nojinho"de todo o processo, é ridículo. Se não queria passar por aquilo não tivesse filhos, ou então adotasse.
Todos sabem pelos meus relatos de parto aqui e aqui que eu não tive opção. Foram cesáreas necessárias. Não estou me justificando, apenas digo que se fosse possível eu teria sim partos naturais com a maior alegria, só não aconteceu.
Já ouvi também que a mãe colocou o filho na creche com 3 meses e meio pois queria voltar a trabalhar. Não por necessidade financeira nem nada, mas porque não aguentava mais ficar em casa "sem fazer nada" e para ela ser útil ao mundo deveria dar sua contribuição trabalhando naquilo que ela mais sabia fazer
Não estou falando aqui das mães que realmente precisam trabalhar, das mães solteiras ou mesmo daquelas que necessitam auxiliar os maridos na dura tarefa de prover uma casa,  conheço muitas assim e sei que fazem das tripas coração para dar conta de tudo, mas elas sabem que a criação dos filhos não é tarefa secundária.
Mas GENTE..como assim não fazia nada em casa? Sei que eu tenho 3 filhos e minha rotina é uma doidera por conta disso, mas mesmo quem tem só um filho não fica sem nada para fazer! Uma criança exige cuidados constantes que nos ocupam grande parte do dia. E outra, porque ela se acharia útil só no escritório, e não criando uma criança que se tornará um bom cidadão no futuro? Isso não importa? E se ela não sabia ser mãe, porque não foi querer aprender? 
Porque ser mãe é muito mais difícil e exige uma dedicação muito maior que muitas estão dispostas a dar. Significa não ser egoísta, não pensar em si em primeiro lugar mas sim no filho. Abdicar do "eu" e pensar nas necessidades daquela criança em detrimento ao seu próprio.
Por isso estou aqui hoje abrindo meu coração, e assumindo minha maternidade ativa. Não com utopias que o mundo é perfeito e cor de rosa. Pois já fiz muitas coisas que as "ativistas" chamariam o conselho tutelar. 
Como disse, fiz cesárea, já dei papinha industrializada aos meus filhos, já deixei chorar por eu estar MUITO cansada (essa foi umas das únicas coisas que me arrependo). Contudo tenho a consciência tranquila pois eu faço sim tudo aquilo que está ao meu alcance para dar o melhor para eles e coloco SEMPRE a felicidade deles em primeiro lugar, não importa o sacrifício que eu tenha que fazer para isso.
E tive sim muitos sacrifícios, tive que largar a profissão que tanto amo (pois não é compatível com a vida com filhos), a amamentação foi um martírio (meus filhos mamavam e eu chorava a cada sugada de tanta dor e isso por MESES), tive mastite, porém nunca desisti e os amamentei até os 6 meses exclusivo e optei pela amamentação prolongada, mas não me arrependo de nada pois sei que fiz o melhor que eu podia oferecer, e quando eles crescerem e não dependerem mais tanto de mim eu volto a pensar em mim, pois terei o resto da minha vida para fazer isso.
A segunda teoria, que até então eu defendia, concordei que na realidade não existe, como disse todos temos convicções, podemos respeitar as diferentes, mas nunca "aceitar" tudo de todos, isso é hipocrisia.
E a terceira até acho válida, nas diversas situações inesperadas da vida e não como as descritas acima, (aquilo eu repudio totalmente), por exemplo eu não tenho culpa nenhuma por ter feito cesárea pois para meu caso foi o melhor, tenho uma amiga que não amamentou seu filho mas porque ela descobriu um câncer de mama na 30ª semana de gestação (se não me engano), então teve uma cesárea agendada para poder junto operar o câncer e já iniciar o tratamento com radioterapia (o que impossibilitou a amamentação), ela vai ter "culpa" por não amamentar? Claro que não! Foi uma fatalidade, ela não optou não amamentar, era isso ou a vida dela. Ou mesmo aquela mãe que trabalha para poder dar um teto ou colocar comida no prato filho, vai ter culpa por isso, acho que não.
Enfim, depois de ler tudo isso revi meus conceitos, e percebi que eu pratico a maternidade de forma ativa e consciente, fazendo o meu melhor sim para meus filhos e não concordo com quem faça diferente.
Posso sim respeitar (como minha mãe me ensinou) que as pessoas não são como eu, mas não me peçam para aceitar aquilo como certo, pois se você não fizer tudo que está ao seu alcance para o seu filho, desculpe-me, mas você é uma "menas mãe"sim. E ponto final.
Então faça tudo de melhor para seu filho. Abdique-se de você por alguns anos pela felicidade do seu filho, pois tenho certeza que no futuro você não se arrependerá e seu filho lhe agradecerá por tudo o que fez por ele. E para mim não há melhor recompensa que essa.
E você concorda? Não? comente para que possamos continuar a discussão. 

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