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Relato de parto 2 - a parte final

Depois de eu ter desabafado tudo conseguimos chegar em casa.

Não dormi direito aquela noite. Na manhã seguinte tinha ultrassom marcado para levar na consulta do dia 29. E assim que fizemos o exame o médico que o realizou disse para esperarmos o resultado, o que achei estranho pois isso nunca tinha acontecido, depois de uns minutos ele volta dizendo que estava com meu GO ao telefone e que ele queria falar comigo.


Nem preciso dizer que fui tremendo apavorada de que algo grave estivesse acontecendo. Ao atender, meu GO disse o que o outro médico havia visto no exame, o líquido amniótico estava muito baixo, a ponto de meu filho estar em risco, então era para irmos ao seu consultório naquela hora.

Então lá fomos nós correndo para o consultório. Ao me examinar ele viu que minha pressão estava nas alturas (aquela dor de cabeça que tive no carro já podia ser devido ao aumento da pressão) e parecia que não tinha mesmo muito líquido. E aí não tivemos opção senão marcarmos a cesárea, meu GO queria para o mesmo dia, mas não pudemos pois meu marido tinha que se rearranjar no trabalho para ficar com o Davi e deixar alguém no lugar dele, então marcamos para o dia 28, meu médico dizia que nesses 2 dias eu teria que ficar de repouso absoluto e ficar contando e anotando os movimentos do Daniel, e qualquer alteração era para eu correr para a maternidade.

Imaginem como foram esses meus 2 dias, deitada, com um menino de 2 anos querendo a mãe para brincar, minha mãe viajando (pois ela foi logo depois do Natal e ela estava em um navio, ou seja, não podia voltar) e meu marido tentando se dividir entre o trabalho e eu (porque ele não podia simplesmente tirar a licença).

Mas graças a Deus passaram os esses 2 dias. Chamei minha avó e meu irmão com a sua namorada para ficar com o Davi enquanto eu ia para a maternidade. E lá fui eu, com o coração na mão preocupada com meu pequeno que ficara em casa e não tinha costume de ficar com mais ninguém e também preocupada se estava tudo bem com meu pequenino que ia nascer.

Chorei muito. Pensava em tudo que tinha acontecido e que novamente não teria meu PN que tanto queria. Aquele era para ser um dos momentos mais felizes da minha vida, e assim como no nascimento do Davi eu estava triste, preocupada e não podendo curtir aquele momento tão especial para mim.

Chegamos na maternidade e já fui direto para o quarto. No quarto eu e meu marido conversamos, para tentarmos deixar de lado tudo o que tínhamos passado para podermos curtir muito o nascimento do nosso segundo filho, oramos juntos e fomos nos acalmando, e como meu Deus é maravilhoso, Ele nos deu uma paz tão grande que a partir daquele momento só pensávamos no nosso Dani que ia nascer. Arrumamos as coisas e a enfermeira já veio me buscar para me preparar e levar meu marido para se trocar. E lá fui eu, para minha segunda cesárea. Sem ninguém na "janelinha" para assistir (eu queria muito que o Davi estivesse lá) pois tudo aconteceu muito rápido e era final de ano, então não conseguimos avisar ninguém.

O bom é que foi tudo bem mais rápido que na do Davi. Não precisei ficar esperando o centro cirúrgico ficar pronto, estavam todos só me esperando. Meu GO como sempre muito atencioso e carinhoso ficava tentando me acalmar e tranquilizar até a chegada do Flávio.

A cirurgia ocorreu tudo ótimo, dessa vez pedi para não me sedarem tanto porque queria vivenciar o nascimento do Daniel como não tinha feito no do Davi e assim fizeram, fiquei alerta o tempo todo, não fui amarrada, e então ouvimos o Daniel chorar!

Aquele choro foi maravilhoso, pois sabia que meu filho estava bem, nada de mal havia acontecido com ele e que todo o resto, era resto, a única coisa que importava naquele momento era a minha família, que agora tinha acabado de receber um novo membro.

E foi assim que o Daniel chegou, em meio a tumulto, discussões e novamente uma cesárea. Porém nada daquilo tinha mais importância pois ele estava ali conosco forte e saudável para aumentar ainda mais nossa alegria e amor.

Só no final da cesárea, quando meu marido já tinha saído, meu GO sentou ao meu lado e começou a falar como tinha sido a cirurgia, então me disse que a cicatriz da cesárea anterior estava muito fina, transparente até, e isso significava que se eu quisesse mesmo uma terceira gestação só podia ser depois de pelo menos uns 3 anos (para dar tempo do meu útero cicatrizar bem) mas que infelizmente não poderíamos arriscar um PN, pois haveria uma chance muito grande de rutura de útero. 

Não vou negar que de início fiquei triste sim, eu que sempre quis e defendi o PN com unhas e dentes, nunca iria poder vivenciar aquilo. Mas logo depois me veio uma paz no coração, pois a via de parto realmente não era NADA importante. O modo como meus dois filhos chegaram não importava, para mim o importante era que eu tinha os dois meninos mais lindos do mundo como filhos e eles estavam ali comigo.

E foi aí que decidi, se eu fosse mesmo partir para uma terceira gestação iria usufruir de tudo que a cesárea tem de bom, agendar na melhor data (CLARO que NUNCA antes da 39ª semana), fazer cabelo, unha, avisar os parentes de longe para todos se alegrarem comigo, enfim, iria curtir mesmo tudo que eu podia, e deixar pra lá essa história de PN que eu nunca iria ter.

E o que aconteceu sobre aquela "conversinha" na casa da minha sogra"? Bom, não vou entrar em detalhes, mas depois de uns dias do Daniel ter nascido (a minha recuperação foi super rápida, em 1 semana já não sentia mais dor nenhuma) voltamos lá e tentamos resolver o assunto. E digamos que com quem era para resolver, nos resolvemos, o que tinha para ser dito foi dito e assim ficou. Eu consegui perdoar algumas coisas (só por Jesus mesmo) e outras prefiro ainda não pensar. Mas continuamos nosso relacionamento como se nada tivesse acontecido, apesar de tudo o que aconteceu eles são pais do meu marido e segundo a bíblia devemos honrar nossos pais, então agi conforme minha crença, passei um pano em tudo e continuamos com nossa vida.

Essa foi minha saga. Daqui uns dias (dias sim prometo) conto como foi com a Sara, mas já adianto que vivi tudo aquilo que queria ter vivido, compensou tudo de ruim que eu passei nos 2 primeiros partos.


Aqui estamos nós 3 felizes

Aguardem… e até a próxima.

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