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Linhas Pedagógicas escolares



Imagem daqui
Quando comecei a procurar uma escola para matricular meu filho, a primeira coisa que me perguntaram era qual linha pedagógica eu  estava procurando. Eu na época não tinha idéia do que era isso, então fui aprender para poder escolher melhor.

Procurei orientação com algumas amigas minhas mas principalmente com minha mãe, que além de minha mãe é também pedagoga, e isso me ajudou muito a esclarecer muitas dúvidas.

Então resolvi escrever sobre isso para que vocês não fiquem tão perdidas quanto eu fiquei na época. 


É de fundamental importância saber que existem diferentes linhas pedagógicas. Construtivista, Montessoriana, Waldorf ou Tradicional, que são as principais correntes pedagógicas adotadas pelas escolas.

Linha Construtivista

Inspirado nas idéias do suíço Jean Piaget (1896- 1980), o método procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas.

Uma aluna de Piaget, Emilia Ferrero, ampliou a teoria para o campo da leitura e da escrita e concluiu que a criança pode se alfabetizar sozinha, desde que esteja em ambiente que estimule o contato com letras e textos.

O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.

Noções como proporção, quantidade, causalidade, volume e outras, surgem da própria interação da criança com o meio em que vive. Vão sendo formados esquemas que lhe permitem agir sobre a realidade de um modo muito mais complexo do que podia fazer com seus reflexos iniciais, e sua conduta vai enriquecendo-se constantemente. Assim, constrói um mundo de objetos e de pessoas onde começa a ser capaz de fazer antecipações sobre o que irá acontecer.

O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.

As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida.

Existem várias escolas utilizando este método. Mais do que uma linha pedagógica, o construtivismo é uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do indivíduo no decorrer de sua vida.

O melhor exemplo para essa metodologia é o desenho do Sid, o Cientista, que passa no Discovery Kids. Lá eles retratam um ensino construtivista puro. Para quem não conhece o desenho vale a pena para ter uma idéia do que é o construtivismo.

Linha Montessoriana

Criada pela pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952), a linha montessoriana valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança.

O método parte da idéia de que a criança é dotada de infinitas potencialidades. Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino.

Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter a capacidade de amar.

As escolas montessorianas incentivam seus alunos a desenvolver um senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado e adquirir autoconfiança. As instituições levam em conta a personalidade de cada criança, enfatizando experiências e manuseios de materiais para obter a concentração individual e o aprendizado. Os alunos são expostos a trabalhos, jogos e atividades lúdicas, que os aproximem da ciência, da arte e da música.

A divisão das turmas segue um modelo diferente do convencional: as crianças de idades diferentes são agrupadas numa mesma turma. Nessas classes, alunos de 5 e 6 anos estudam na mesma sala e seguem um programa único. Posteriormente eles passam para as turmas de 7 e 8, em seguida para as de 9 e 10, e, finalmente alcançam o último estágio, que agrega jovens de 11,12,13 e 14 anos. Até os 10 anos, os alunos têm aulas com um único professor polivalente, enquanto nas salas de 11 a 14, esse professor ganha a companhia de docentes específicos para cada disciplina.

Os professores dessa linha de ensino são guias que removem obstáculos da aprendizagem, localizando e trabalhando as dificuldades de cada aluno. Sugerem e orientam as atividades, deixando que o próprio aluno se corrija, adquirindo assim maior autoconfiança.

A avaliação é realizada para todas as tarefas, portanto, não existem provas formais.

A Linha Waldorf

A Pedagogia Waldorf se baseia na Antroposofia (gr.: antropos = ser humano; sofia = sabedoria), ciência elaborada por Rudolf Steiner, que estuda o ser humano em seus três aspectos: o físico, a alma e o espírito, de acordo com as características de cada um e da sua faixa etária, buscando-se uma perfeita integração do corpo, da alma e do espírito, ou seja, entre o pensar, o sentir e o querer.

Foi criada em 1919 na Alemanha e está presente no mundo inteiro. O ensino teórico é sempre acompanhado pelo prático, com grande enfoque nas atividades corporais, artísticas e artesanais, de acordo com a idade dos estudantes. O foco principal da Pedagogia Waldorf é o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas.

Tanto o aprimoramento cognitivo como o amadurecimento emocional e a capacidade volitiva recebem igual atenção no dia a dia da escola. Nessa concepção predomina o exercício e desenvolvimento de habilidades e não de mero acúmulo de informações, cultivando a ciência, a arte e os valores morais e espirituais necessárias ao ser humano.

O currículo, que se orienta pela lei básica da biografia humana, os setênios – ciclos de sete anos- (0-7/ 7-14/ 14-21) oferece ricas vivências, alternando as matérias do conhecimento com aquelas que se direcionam ao sentir e agir. Não há repetência, justamente para que as etapas de aprendizagem possam estar em sintonia com o ritmo biológico próprio de cada idade.

No primeiro ciclo (0-7), a ênfase é no desenvolvimento psicomotor, essa fase é dedicada principalmente às atividades lúdicas, ela não inclui o processo de alfabetização. O segundo ciclo (7-14), que corresponde ao ensino fundamental, compreende a alfabetização e a educação dos sentimentos, para que os alunos adquiram maturidade emocional. Nesta fase, não existe professores específicos para cada disciplina, mas sim um tutor responsável por todas as matérias, que acompanha a mesma turma durante os sete anos. O tutor é uma referência de comportamento e disciplina para que o aluno possa se espelhar.

Já no terceiro ciclo, equivalente ao ensino médio (14-21), o estudante está pronto para exercitar o pensamento e fazer uma análise crítica do mundo. As disciplinas são dividas por épocas, em vez de ter aulas de diversas disciplinas ao longo do dia ou da semana, o estudante passa quatro semanas vendo uma única matéria. Nessa fase entram os professores especialistas, mas as classes continuam com um tutor.

A avaliação dos alunos é baseada nas atividades diárias, que resultam em boletins descritivos. O progresso dos alunos é exposto detalhadamente em boletins manuscritos, nos quais são mencionadas as habilidades sociais e virtudes como perseverança, interesse, automotivação e força de vontade. Como conseqüência, o jovem aluno tem grandes chances de se tornar um adulto saudável e equilibrado capaz de agir com segurança no mundo.

Linha Tradicional

A linha tradicional de ensino teve a sua origem no século XVIII, a partir do Iluminismo. O objetivo principal era universalizar o acesso do indivíduo ao conhecimento. Possui um modelo firmado e certa resistência em aceitar inovações, e por isso foi considerada ultrapassada nas décadas de 60 e 70.

As escolas que adotam a linha tradicional acreditam que a formação de um aluno crítico e criativo depende justamente da bagagem de informação adquirida e do domínio dos conhecimentos consolidados.

Não há lugar para o aluno atuar, agir ou reagir de forma individual. Não existem atividades práticas que permitem aos alunos inquirir, criar e construir. Geralmente, as aulas são expositivas, com muita teoria e exercícios sistematizados para a memorização.

O professor é o guia do processo educativo e exerce uma espécie de “poder”. Tem como função transmitir conhecimento e informações, mantendo certa distância dos alunos, que são “elementos passivos”, em sala de aula.

As avaliações são periódicas, por meio de provas, e medem a quantidade de informação que o aluno conseguiu absorver.

São escolas que preparam seus alunos para o vestibular desde o início do currículo escolar e enfatizam que não há como formar um aluno questionador sem uma base sólida, rígida e normativa de informação. 
Informações daqui


Uma coisa que me chamou a atenção foi que a maioria das escolas mescla o construtivismo com o tradicional, utilizando projetos em apostilas para estimular o pensamento, a participação ativa e criação de hipóteses pelos alunos, mas as avaliações são ainda por meio de provas. Conheci somente uma escola onde se aplicava o construtivismo puro, onde não era feito uso de apostilas nem de avaliações formais, igual a escola do Sid, o cientista mesmo (como citei lá em cima).

Antes de conhecer ou escolher a escola do seu filho, vale a pena conhecer essas linhas, para saber primeiro como você quer que ele aprenda e qual melhor se encaixa na filosofia da sua famíla, para não se decepcionar depois.

Espero ter ajudado quem ainda tinha dúvidas sobre isso. O ensino mudou muito desde minha época de estudante e acho super importante nós como mães aprendermos como tudo está funcionando agora, para podermos oferecer o melhor para nossos filhos.

Eu fiquei com uma que mescla o construtivismo com o tradicional, e você, qual acha melhor?

13 comentários:

Mônika M S Lazauskas Lovera disse... [Responder o Comentário]

A minha #aos16 estudou em uma escola que tb tinha como base o construtivismo. Tenho ótimas lembranças da escola e das professoras. Na época nem tinha muito conhecimento, mas de todas que eu visitei foi a que mais gostei do método. Depois acabei conhecendo um pouco mais qndo estudei sobre Jean Piaget na Faculdade. A escola tinha o nome dele ;)
Muito legal vc ter feito esse resumo pras mães poderem conhecer as linha pedagógicas!

Beijos,
#amigacomenta
www.maebivolt.com.br

Chris Ferreira disse... [Responder o Comentário]

Oi Elaina, um ótimo post que vai esclarecer as dúvidas de muitas mães. Aqui nós também ficamos com a mescla do construtivismo com a tradicional.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/
#amigacomenta

Personal Bebê disse... [Responder o Comentário]

Adorei Elaina, muito bom o texto!
Beijos
Débora
#amigacomenta
@personalbebe

Camila Gomes disse... [Responder o Comentário]

Elaina, eu também fico com o construtivismo com o tradicional, não sei qual a escola do Murillo segue vou perguntar!
Adorei não sabia dessa linha de ensino.
Beijos Ca
#amigacomenta

Cynthia Le Bourlegat disse... [Responder o Comentário]

Oi Elaine! Muito bom seu post! Cada método tem seus pontos fortes e fracos né? Os meninos estudam em colégio sócio-construtivista, eu adoro! gde beijo
Cynthia
#amigacomenta

Mariana Bertalot disse... [Responder o Comentário]

Parabéns pelo post!!
Vale ressaltar que segundo a LDB a linha teórica sugerida é o construtivismo, porém como ele é uma teoria e não um método algumas escolas acabam distorcendo suas teorias.
Cuidado!! O Construtivismo prega principalmente o aluno como ser que constroi seu conhecimento e não apenas recebe informações.
Bjs,
Mari
#amigacomenta

Thaty disse... [Responder o Comentário]

Oi Elaina!

Super esclarecedor seu post, vai ajudar muito quem quer procurar uma escola e entender o que significa cada coisa. A escola dos meus utiliza o sociointeracionismo e eu gosto bastante.

Bjs
Tati
#amigacomenta

Silma disse... [Responder o Comentário]

Eu não sei se aqui em Blumenau tem alguma escola que trabalhe com a linha construtivista, esse me agradou muito, eu sei que tem na linha Montessouriana e era essa que eu estava pensando em pegar, quero uma coisa menos rígida... valeu as dicas.
Bjs
#amigacomenta

Flavia Aguiar disse... [Responder o Comentário]

Ótimo post! este era um tema da minha lista de temas a se estudar e vc me ajudou bastante! Meu bebê está em uma escolinha construtivista, mas ele está no berçário, então ainda não consigo ver estas diferenças nos projetos pedagógicos. mais pra frente é hora de pensar melhor, mas sou muito fã do montessoriano. beijos Flávia #amigacomenta

Helena Sordili disse... [Responder o Comentário]

Adorei o post!
Sou da área de educação e conheço bastante o tema, mas seu post com certeza será uma ótima referência!
beijao
Lele
#amigacomenta
@hsordili

Mi Gobbato disse... [Responder o Comentário]

ótimo post .. com certeza irá ajudar muitas mães que vão enfrentar essa fase de escolha.. eu tbm não tinha muito idéia na época, e pesquisei bastante e tbm conversei com a minha cunhada que é professora

Beijos Mi Gobbato
http://espacodasmamaes.blogspot.com.br

Marusia disse... [Responder o Comentário]

Sua pesquisa vai ser útil para muita gente! Parabéns!
Um beijo,
Marusia
#amigacomenta
http://maeperfeita.wordpress.com

Flávia Pellegrini disse... [Responder o Comentário]

Eliana, post tipo utilidade pública! Também tive esta preocupação quando pesquisei a escola da filhota. Pena que muitos pais desconhecem sobre, né?

Um abraço,
Flávia Pellegrini
#amigacomenta
@blognapracinha