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Vamos ensinar o respeito aos nossos filhos?


Sei que esse texto não agradará a muitas, mas ele não me sai da cabeça e por isso preciso colocar para fora.

Quanto mais passeio pelas redes sociais, mas fico indignada com a posição e pensamento das pessoas (claro que não são todas). Ao ler os status no facebook, o twitter e alguns blogs maternos tenho me deparado com tanta coisa ruim que muitas vezes penso seriamente em me deletar de tudo e viver fora da internet, pois a cada dia que passa me irrito mais.

São tantos movimentos, passeatas, apitaços (que atrapalham a vida daqueles que não tem nada a ver com o assunto) para reivindicar coisas que, até são importantes, mas com certeza estão super valorizadas.


São mães que lutam pelos seus "direitos" mas que ao fazerem isso não pensam no próximo, não tem mais respeito pelo outro, pois se esse outro (o no caso outra) pensar, ou agir diferente daquele ideal que ela prega, é imediatamente crucificada e classificada de muitas formas ruins (que me recuso a escrever aqui).

No meu texto de algumas semanas atrás, escrevi que eu tenho convicções sim, não sou hipócrita a ponto de dizer que acho tudo certo e lindo, porém eu também disse que eu RESPEITO as pessoas. 

Não acho certo a pessoa não amamentar o filho exclusivamente até o sexto mês por motivos que não sejam realmente válidos, mas se a pessoa não amamentar, não é um problema meu, se ela fez aquilo consciente (ou seja sabia o que era melhor e mesmo assim não fez) o problema é dela! EU não tenho nada a ver com a vida dela! Tenho muitas (posso dizer que é a maioria esmagadora) amigas que não amamentaram, voltaram ao trabalho antes do 6º mês, que escolheram ter cesárea, e nem por isso vou desrespeitá-las ou deixar de ser amiga delas. 

Cada um deve arcar com as consequências dos seus atos, mas julgar o comportamento dos outros e menosprezá-la por isso, para mim é inadismissível.

Nesse mesmo texto que citei acima recebi um comentário que vou transcrevê-lo aqui para exemplificar o que eu digo: " Oi Elaina, faz um tempo eu resolvi me desvencilhar de todos esses grupos de mães, sempre que leio os "mais main menos main" sinto arrepios. Descurti diversas páginas que não me ajudavam em nada na prática e passei somente a acompanhar alguns blogs e discussões do facebook, como ouvinte, sem me envolver.
Houve um dia em minha vida que foi um divisor de águas, em que resolvi que não ensinaria à minha filha a ser intolerante e muito menos preconceituosa, julgando sem sequer ouvir a outra parte. Nem um assassino em série é julgado sem ser ouvido.
Precisei parar de amamentar exclusivamente a minha filha aos 5 meses, não por vontade minha (apesar das dores insuportáveis do meu seio invertido e rachaduras constantes) mas porque minha filha estava "perigosamente" abaixo do peso, o que foi alarmado pelo pediatra. Meu peito de fato não estava dando conta do leite, ela sempre foi uma criança grande (não é gorda, é grande, alta, comprida, antes que me enviem de novo o link do Muito Além do Peso), e ela já estava em risco de anemia e outros problemas de nutrição deficiente. Passei a alternar a amamentação com fórmula e minha filha voltou a ganhar peso.
Um belo dia, minha bebê com 6 meses, precisei ir ao Shopping Morumbi para comprar um presentinho de aniversário, já fazia um mês da mudança e ela já estava voltando ao peso normal para a idade.
Aproveitei para dar uma voltinha e deu o horário da mamada. Fui com minha bebê ao fraldário e entendi o que é o tal "maternar radical" na prática e na pele... Tirei a mamadeira com a fórmula e ofereci à minha filha.
Duas mães que estavam amamentando no fraldário perguntaram a idade da minha bebê, eu inocentemente respondi, achando que elas somente queriam puxar assunto, uma agradável conversa entre mães.
Fui taxada ali mesmo de irresponsável, imbecil, entre outras palavras que não quero dizer aqui, egoísta e egocêntrica. Que elas participavam de mamaços e outras manifestações e que mães "com a minha postura" não ajudavam em nada a "causa" delas...
Quando tentei dizer que era ordem médica, questão de saúde, meu pediatra foi julgado ali mesmo e o veredicto foi dado "assassino de bebês", sem que eu pudesse dar qualquer explicação racional. Desisti.
Saí do fraldário para ter um pouco de paz e dei a mamadeira a minha filha, chorando e tremendo de nervoso (eu, não ela), num banco no corredor do Shopping sem qualquer conforto. Só não chamei os seguranças em respeito à minha filha.
Se isso é o tal "maternar consciente", estou fora, essas pessoas não estavam conscientes.
Fui execrada, constrangida e humilhada como nunca antes. Entendi o que é sofrer preconceito de alguma espécie naquele momento e decidi que sairia de todos esses grupos e jamais assumiria qualquer posição desse tipo - e que dessa forma, não ensinaria a minha filha a ser preconceituosa, intolerante ou radical. É entre outras coisas uma das melhores decisões que tomei, por ela.
Leio, me informo, tenho minhas opiniões e convicções, a tranquilidade de passar mais tempo com a minha filha, e a certeza de estar oferecendo o melhor ao meu alcance, mas acho que falta hoje em dia o respeito pela vida alheia, e isso é uma grande preocupação minha em relação ao futuro e educação dela: o respeito a indivíduos e opiniões diferentes.
Não acredito em enfiar meu estilo de vida goela abaixo na vida de outra pessoa, o que as pessoas que participam hoje dessas comunidades tanto tentam fazer, seja de maternidade, seja de outros assuntos.
Vejo mães se degladiando, se gabando, se xingando, se auto-elogiando e botando todos os seus preconceitos quanto as “menos mães” pra fora no Facebook, um exemplo horrível para os filhos. Viver sinceramente de acordo com as suas convicções é louvável e digno. Ser preconceituoso e agressivo com o estilo de vida e convicções de outros é intolerância, já temos isso de sobra no mundo…"



Agora me digam, foi certo fazer isso com ela? Esse mesmo grupo de mães que querem ser "respeitadas" não sabem respeitar uma outra mãe com seu filho no colo. E esse não foi o único não. Recebi alguns desses relatos via e-mail, mas para não alongar muito o post só coloquei esse.

Isso me assusta. O que essas mães estão ensinando para seus filhos? Respeito, solidariedade e amor ao próximo é que não é.

Isso também me irrita, pois como sou evangélica já ouvi diversas vezes que sou "intolerante" por causa das minhas crenças e princípios que são TOTALMENTE baseados na bíblia. Mas posso garantir a todos que eu nunca agi dessa maneira como aquela mãe foi tratada.

Como disse acima, posso não concordar com muita coisa que vejo. Mas eu nunca vou deixar de respeitar as pessoas por terem feito escolhas diferentes (e na MINHA opinião até erradas) e é isso que eu ensino diariamente aos meus filhos.

Cada um tem direito a ter opinião, isso inclui TODAS as pessoas, podemos sim discordar, mas não podemos nunca deixar de respeitar a escolha alheia. Por mais "errada" que aquela decisão possa nos parecer, nós não sabemos os reais motivos ou tudo o que aquela pessoa passou para que culminasse naquela escolha.

Vamos passar a respeitar mais, principalmente as outras mães, pois ninguém melhor que nós sabemos o quanto a maternidade é difícil e carregada de culpas. 

Assim, quem sabe poderemos facilitar e ajudar a vida de muitas pessoas e ainda de quebra ensinaremos respeito e tolerância aos nossos filhos. Porque é isso que quero, que meus filhos tenham suas convicções, mas que eles também saibam que elas não estão acima do outro nem é melhor do que a de ninguém.

E você, conhece alguém que sofreu com esse desrespeito?

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