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Antes que eles cresçam

Estou muito sentimental essa semana por vário motivos, estou com uma gripe que não quer me largar, assim como 2 dos 3 dos meus filhos, meu aniversário está chegando (faço 3.5 na sexta), a Sara fará 1 ano daqui a 3 semanas... 

Então vou compartilhar um texto com vocês que recebi em uma reunião de pais na escola dos meninos, esse texto me fez pensar muito e só corrobora aquilo que sempre digo, o tempo passa muito rápido, por isso eu fico com meus filhos o máximo de tempo que posso, e aí quando crescerem eu penso em mim, lá terei muito tempo, agora eu só quero curtir muito meus pequenos, abraçá-los e cheirá-los muito antes que eles cresçam...
Olha como eram pequenininhos...

E olha como estão grandes já!



Antes que eles cresçam
Afonso Romano de Sant’Anna

"Há um período em que os pais vão ficando órfãos de seus próprios filhos.

É que as crianças crescem, independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença á vida.

Crescem com uma estridência alegre e, ás vezes, com alardeada arrogância.

Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente.

Um dia, sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.

Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?

Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?

A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça.

Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com uniformes de sua geração.

Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas.

Eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.

Principalmente com os erros que esperamos que não se repitam.

Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos filhos.

Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.

Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.

Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas. Deveríamos ter ido mais á cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidencias entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertos daquele quarto cheio de adesivos, agendas coloridas e discos ensurdecedores.

Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.

Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas “criaturinhas”.

Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade.

E que a conquistem do modo mais completo possível.

O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.

Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.

Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam."


E aí quem vai curtir muito os filhotes depois disso hein?

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