Páginas

12

Rotina do sono


Isso é possível sim, essa foto só está no carro pois só aí consigo pegar os três dormindo



Tenho que confessar que ficar sem dormir é uma das piores coisas para mim. Se eu não durmo direito, fico irritada, chorosa, sem paciência e não raciocino direito (acho que isso acontece com a maioria de nós). E conversando com outras mães, sinto que esse é um dos grandes problemas da maternidade: a falta de sono. 


Nesse aspecto, me sinto orgulhosa e privilegiada, pois consegui fazer meus três filhos dormirem a noite toda desde bebês. E hoje, o Davi com seis anos e meio, e o Daniel com quatro anos e meio, e a Sara com 10 meses dormem de 10 a 12 horas por noite, todas as noites. 

Vou contar como consegui isso e quem sabe ajudar outras mães a não se desesperarem e acharem que nunca mais terão uma noite de sono tranquila na vida. 

Acho que o grande segredo e aliado de uma boa noite de sono é a rotina, não só a da hora de dormir, mas rotina durante o dia também. E isso não é só um clichê, a rotina não só funciona, como é primordial para se ter uma criança calma e feliz. 

Quando chega ao mundo, o bebê não tem ideia do que está acontecendo, só sabe que saiu de um lugar quentinho e confortável para um lugar onde a temperatura está sempre mudando, a manipulação é constante – para troca de fralda, roupas, banho etc. –, ele sente fome, frio, calor... Para esse bebê, o mundo fora do útero é muito estressante. Então, temos que tentar mostrar a ele que nem tudo é caos aqui fora. Como? Com uma rotina estruturada. Assim, ele saberá o que vai acontecer a seguir e conseguirá se manter mais calmo (ou menos estressado, depende do bebê) durante o dia. 

Se o dia dele for mais calmo, a tendência é que ele consiga descansar e relaxar mais à noite. Isso acontece inclusive conosco, quando passamos um dia ruim, a noite se torna mais agitada e parece que nem descansamos. Um livro que me ajudou muito na imposição dessa rotina foi “A Encantadora de Bebês” da autora Tracy Hogg. Li esse livro na minha primeira gestação e comecei a colocar em prática o modelo de rotina explicado em seu livro, desde o primeiro dia dos meninos em casa.

Esse modelo de rotina é simples, a autora usa a palavra easy (que significa fácil, em inglês) para descrever essa rotina com o bebê, que é: 

E – eat (comer);
A – activity (atividade);
S – sleep (dormir);
Y – you (você, faça algo para você descansar e relaxar).

Ou seja: o bebê se alimenta, tem uns minutinhos de interação para não associar a mamada ao sono, é colocado no berço ainda acordado, mas sonolento, ali ele dorme sem ajuda da mãe, e a mãe pode descansar ou fazer qualquer outra coisa que a deixe relaxada para quando o bebê acordar e começar tudo novamente. Só à noite é que muda um pouco, pois não há estímulo para interação: do banho vai para alimentação e de lá para o berço, e adormecer. 

Desde que chegaram da maternidade, coloquei meus dois filhos nessa rotina. Os amamentava, para mantê-los acordados, trocava a fralda e os colocava para dormir ainda acordados. Ficava com eles no quarto até adormecerem (mas sem mexer neles) e só depois eu ia descansar, comer, tomar banho... Tudo o que uma mãe tem direito, não é mesmo?


Local para dormir


Sempre os coloquei para dormir nos seus próprios berços, tanto nas sonecas do dia quanto nas da noite. A diferença é que, durante o dia, deixávamos as janelas e portas abertas, televisão ligada e conversávamos em volume normal. Fazíamos isso para mostrar a eles que a casa estava "rodando", que ainda era dia. 

Aliás, é muito importante eles entenderem que o berço é o lugar para dormir, pois como acabaram de nascer, eles não tem referência alguma. Portanto, onde você os colocar, eles entenderão que ali será o lugar de dormir. 

À noite, por volta de umas 19 horas, fechávamos as janelas, dávamos um banho bem gostoso e calmo, colocávamos o pijama, eu os amamentava, deixava-os bem calmos e confortáveis, e os colocava no berço dizendo que era hora de dormir. O Davi demorava mais para pegar no sono. Algumas vezes, eu precisava ficar com ele no quarto por horas acalmando-o para que ele adormecesse, o pegava no colo até que parasse de chorar e o colocava de volta no berço, pois era importante não deixá-lo adormecer nos meus braços. 

Com o Daniel foi um pouco mais fácil. Ele foi o segundo filho e eu já sabia como agir. 

Com essa técnica, meus meninos, com apenas 16 dias de vida, já eram capazes de adormecer sozinhos no berço. Eles acordavam por volta da meia-noite para mamar e depois só acordavam a partir das seis horas da manhã. Claro que houve noites em que eles se recusavam a dormir, ficavam rebeldes e chorando por horas. E é aí que tudo pode dar certo ou ir por água abaixo: você deve ter determinação para não desistir nunca, mesmo quando parece que não está funcionando, pois, acredite em mim, funciona! 

A Sara que deu um pouco mais de trabalho. Ela sempre foi "da noite", queria ficar acordada até depois da meia noite. E nos dois primeiros meses eu fazia toda a rotina do sono (no caso dela era banho, colocar os irmãos para dormir e depois íamos para o quarto dela para amamentá-la) e lá no quarto eu ficava das 21:30 até a hora dela dormir (que alguns dias bateu em 2:30 da manhã...). 

Não importava o que acontecia, eu ficava lá no quarto com ela, amamentava quantas vezes fossem necessárias (teve noite que chequei a amamentá-la seis vezes), colocava-a no berço novamente e pegava-a no colo para acalmá-la se ela chorasse. Mas eu não saía de dentro do quarto, pois com isso ela entenderia que aquela hora era a de dormir, mas que ela não estava sozinha, pois eu só saía quando ela já estava dormindo.

E com três meses ela já conseguia dormir sozinha no berço, sem traumas nem choro, e dormia a noite todinha, das 22:30 (ficava 1 hora amamentando) até as 9/10 da manhã do dia seguinte.

Digo novamente, tudo isso é simples, porém não é fácil. Precisei de muita força de vontade e ajuda do meu marido, pois perdi a paciência algumas vezes e, então, meu marido assumia e juntos conseguíamos atingir nosso objetivo. Em alguns momentos foi muito difícil, mas olhando para trás, vejo que tudo valeu a pena. 

Hoje, posso relaxar um pouco mais em relação à rotina. Quando estão com sono, me pedem para que eu os leve para dormir em suas camas. Eu leio uma história, dou um beijo de boa noite e eles ficam lá até o dia seguinte. E isso acontece independente de onde estamos ou de temos visitas em casa. É ou não um sonho? Para mim, realidade. 

Este é meu segredo para noites sem choros e bem dormidas, a rotina firme. Não digo que é infalível, pois sei que as pessoas e as situações são diferentes. 

Se quiser tentar, fique firme e não desista. Pode demorar, mas vai funcionar em algum momento e aí sim você experimentará uma noite de sono deliciosa. 

Como sempre digo, em relação à maternidade e às crianças, tudo passa! Acredite: você vai dormir novamente e se seguir uma rotina firme, isso poderá acontecer antes do que imagina. 

Post original publicado no Blog Vida de mãe da Nestlé, mas neste incluí a rotina da Sara também.

12 comentários: