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Algumas novidades sobre a amamentação


Que amamentar é bom para a mulher e para o recém-nascido você já deve saber. Apesar de muitos benefícios já serem conhecidos, médicos e pesquisadores não param de descobrir coisas novas e confirmar relações pouco estudadas.


Aqui sou eu amamentando a Sara no dia do seu primeiro aniversário

Recentemente, foram divulgadas três pesquisas interessantes sobre esse tema. A primeira delas estimou o impacto que o aumento do tempo de amamentação teria para a saúde das mães. A cientista Melissa Bartick, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e seus colegas afirmam que poderiam ser evitados cerca de 5 mil casos de câncer de mama, 53 mil casos de hipertensão e 14 mil casos de infarto anualmente caso a taxa de mulheres que amamentam seus filhos até eles completarem um ano subisse dos atuais 23% para 90%. Para chegar a esses números, o grupo usou os resultados de estudos anteriores para estimar uma relação de causa e efeito entre a amamentação e essas doenças para um grupo de quase 1,9 milhões de mulheres. Os números são muito expressivos e alertam para a importância de incentivar a manutenção desse hábito a longo prazo – mesmo após a introdução de outros alimentos na dieta da criança.


A segunda pesquisa avaliou especificamente a relação entre amamentação e pressão alta nas mães. Um grupo de cientistas da University of Western Sydney reuniu informações de 75 mil mulheres australianas com 45 anos ou mais e concluíram que amamentar por 6 meses durante a vida já reduz significativamente o risco de desenvolver hipertensão. Não importa, no entanto, se a mulher amamentou uma criança durante 6 meses ou dois filhos por 3 meses. Essa diminuição foi verificada tanto em comparação com mulheres que nunca deram à luz quanto aquelas que tiveram filhos mas não amamentaram. Ou seja, o menor risco de apresentar pressão alta parece estar relacionado especificamente à amamentação.
Os pesquisadores australianos apresentaram algumas hipóteses para essa diferença. A primeira é que a amamentação pode alterar a estrutura dos vasos sanguíneos. Esse hábito também faz com que o organismo da mulher produza ocitocina, um hormônio que inibe a secreção de substâncias relacionadas ao nervosismo e estresse. Além disso, a interação positiva com o bebê durante a amamentação, incluindo o contato corpo a corpo, pode produzir benefícios a longo prazo para a saúde cardiovascular da mãe.


De acordo com o pediatra Hamilton Robledo, do Hospital São Camilo (SP), apesar de algumas relações entre amamentação e prevenção de doenças não estarem totalmente esclarecidas, elas são frequentemente observadas em estudos. No caso da hipertensão, Robledo concorda com a impressão dos pesquisadores, e ressalta que a ocitocina também traz outros benefícios, como a prevenção de anemia na mulher. Em relação ao câncer, especialmente de mama e ovário, alguns fatores de proteção presentes no leite materno acabam circulando no sangue da mãe, o que dificultaria o desenvolvimento do problema.  

Mais um para os bebês


Outro estudo publicado recentemente traz uma boa notícia, dessa vez, para os bebês. Cientistas da Brown University, nos Estados Unidos, descobriram que aos 2 anos, crianças que haviam recebido amamentação exclusiva até os três meses apresentaram melhor desenvolvimento em partes importantes do cérebro em comparação com as crianças alimentadas exclusivamente com fórmula ou com uma combinação de fórmula e leite materno. A diferença foi mais pronunciada em regiões do cérebro associadas ao desenvolvimento da linguagem e das emoções.


Esse não é o primeiro estudo a sugerir uma relação entre desenvolvimento cerebral e amamentação, mas foi o primeiro a analisar as imagens dos cérebros de crianças saudáveis. 133 bebês de 10 meses a 4 anos foram avaliados. Todos eles foram concebidos após uma gravidez sem complicações e tinham o mesmo nível socio-econômico. “Estamos descobrindo uma diferença de 20 a 30% no desenvolvimento cerebral das crianças amamentadas com as demais. Acho surpreendente haver tanta diferença tão cedo”, afirmou em nota o cientista Sean Deoni, principal autor do estudo.

Segundo Robledo, esse benefício está relacionado a alguns (prepare-se para o nome!) ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa. São substâncias específicas presentes apenas no leite materno que favorecem o desenvolvimento cerebral. “Claro que sem o leite materno ela não vai se tornar uma criança burra, porque isso também depende de estímulos externos, mas esse alimento é uma contribuição importante”, explica.
E se eu tiver dificuldade?
Ok, com tanta coisa boa relacionada à amamentação em um texto só talvez você esteja se sentindo pressionada. Muitas mães ficam muito nervosas porque têm dificuldades para amamentar ou não sabem se vão fazer tudo direito. Calma! Apesar de ser um ato natural na teoria, na prática, o processo pode ser bem difícil. Nem a mãe nem o bebê sabem exatamente o que fazer, em que posição ficar. Não adianta achar que na primeira mamada tudo vai correr bem, como nos filmes e nas novelas. É importante ter isso bem claro para não se decepcionar.


"Como todo processo de aprendizagem, existem as dificuldades. E exige muita paciência e tranquilidade", diz a enfermeira obstetra Márcia Regina da Silva, do Hospital São Luiz, em São Paulo. Muitas mulheres pensam em parar por motivos emocionais, cansaço ou desânimo com a demora do bebê para se adaptar ao peito. Raramente o motivo é fisiológico.



O mais importante é você ter um obstetra de confiança, que explique desde cedo como preparar os seios e conte tudo o que pode acontecer nos primeiros dias do bebê em casa. Também é fundamental o suporte da família, especialmente do marido, que deve estar ao seu lado nos momentos de nervosismo. Vale a pena persistir. No segundo mês você nem vai lembrar-se de que os problemas existiram e depois, acredite, vai sentir muita saudade.

Matéria publicada na revista Crescer

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