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Palpiteiras de plantão


Uma coisa que eu sempre tive certa comigo mesma era como viver minha vida. Nunca admiti que ninguém se metesse, ouvia sim alguns conselhos mas sempre fiz tudo conforme minha consciência e coração, isso porque não queria culpar ninguém pelas minhas escolhas, fossem elas certas ou erradas (o que aconteceu algumas vezes, mas com todas elas eu aprendi e amadureci).
Imagem daqui
Então um belo dia eu engravidei, e com o positivo veio uma enxurrada de palpiteiras, principalmente da família, dizendo milhões de coisas sobre como cuidar de uma criança (e muitas delas era até contraditórias, mas todas "infalíveis").


A princípio me fazia de educada, pois ouvia todos e tentava explicar os motivos que me levariam a seguir ou não aquilo que estavam me dizendo, e parecia funcionar pois os palpites diminuíram.

Então meu filho nasceu, e com ele mais uma montanha de palpites tomaram conta dos meus ouvidos. Só que eu era mãe de primeira viagem, cheia de dúvidas, anseios e sonhos e aqueles palpites não me pareciam tão inofensivos porque estava colocando em xeque muita das coisas que eu achava certo. Muitos era sobre a amamentação, eu sempre sonhei em amamentar e sabia que deveria ser 6 meses exclusiva sem água, sucos ou chás, porém ouvia muitas pessoas me criticando, da família mesmo (lê-se minha sogra principalmente) dizendo que já criara não sei quantos filhos e essa história de amamentação era besteira, que sempre deu chá para cólicas e que nenhum tinha morrido. Eu ODIAVA essa frase, não é porque seu filho não morreu que ela tenha sido bem tratado.

E foi aí que eu rodei a baiana! Dava uma de grossa mesmo cada vez que alguém vinha com alguma conversa de como cuidar do meu filho. Cheguei até a cortar relacionamento com alguns amigos por conta de comentários que eu não gostava. E eu que já não gostava de palpites, passei a ter aversão por eles.

E aí veio meu segundo filho, e com ele uma maior maturidade onde eu aprendi a lidar melhor com as palpiteiras (não precisava querer socar a cara de quem viesse só conversar como eu estava lidando com meus filhos). Eu simplesmente ouvia, balançava a cabeça e seguia minha vida como se não tivesse ouvido nada, isso  diminuía meu stress e salvou muitas das minhas amizades.

Depois dele veio a terceirinha, e a maioria das pessoas que me conhece já sabem como sou, e por incrível que pareça esses palpites diminuíram em 90%. O problema são esses 10% restantes, que como acontecem eu já encaro até como falta de respeito.

Eles vem geralmente de alguém da família e são tão ofensivos que parece que sou uma completa imbecil na criação dos meus filhos. Chega ao ponto de passar por cima da minha posição de mãe e fazer escondido. 

Um exemplo, eu não dou doces para meus filhos durante a semana porque prezo muito por uma alimentação saudável. Doces estão liberados nos finais de semana porém são controlados, nada de comer quilos de balas, pirulitos e salgadinhos. Mas já presenciei gente dando balas escondido (daquelas de goma, e foram MUITAS, coisa de 50 balas sem exageros), e ainda por cima pedindo para eles mentirem para mim pois comer bala é bom e não tem nada de mal em comer muitas balas (como é da família não podia socar e já tentei conversar e não adiantou). Nessa hora eu respirei (BEM) fundo, contei até 1 milhão e conversei com eles em casa, dizendo que o que foi feito foi errado e que ninguém tem o direito de pedir para eles mentirem para mim. O bom é que meus filhos são muito bonzinhos e não mentem mesmo.

Hoje, depois dos meus três filhos minha paciência aumentou assim como minha maturidade, e consigo lidar melhor com todos esses (poucos) palpites, conselhos e desrespeitos que restaram. Não é fácil, mas a maternidade é assim mesmo, para revermos conceitos, atitudes e sermos pessoas melhores a cada dia que passa para nossos filhos.

Quanto aos palpites? Ainda continuo ouvindo, mas agora eu uso o meu número de filhos a meu favor e digo, - Ah, fiz assim com meu filho número dois e não deu certo, mas com o número um funcionou de certa forma… E assim consigo inibir muitos dos "conselhos infalíveis" que pretendiam me dar. Mas não é fácil não.

Texto publicado no Confessionário da Bebe.com.br

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