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Minha nova vida de mãe começa...

Que saudade desse meu cantinho! Faz muito tempo que não venho passo por aqui, mas também com toda a mudança que passamos não tive tempo para mais nada além de me ocupar com adaptação e com a mudança.

Como vocês sabem nos mudamos para os Estados Unidos. Chegamos aqui em novembro e desde então estamos tentando nos adaptar a  tudo que uma mudança de país engloba. E não é pouca coisa, principalmente se você tem 3 filhos...

Muitas mães tem me escrito pedindo que eu conte como está nossa vida aqui, umas querem saber como é a alimentação, como são as escolas, a interação com as pessoas (se há discriminação por sermos imigrantes) adaptação das crianças, saúde... e se realmente vale a pena toda essa mudança.

Como quero contar tudo muito bem explicado, vou escrever cada uma dessas coisas em posts separados escrevendo para vocês como está sendo nossa vida  por aqui.

Hoje vou falar de como foi nossa mudança.





Meu marido sempre me disse, desde de antes de nos casarmos, que gostaria muito de mudar e viver em outro país, porém eu nunca dei muita bola para isso. No início do ano passado ocorreram umas mudanças na empresa onde ele trabalha e a área dele seria dividida entre América Latina e América do Norte (antes era uma grande área das Américas) e quem quisesse poderia aplicar para as vagas que abririam aqui. O Flávio aplicou, passou por todas as entrevistas e foi aprovado.

Após a aprovação tínhamos que esperar a carta-proposta, que descreveria tudo como seria, desde a transferência, salário e tudo mais. Oramos muito para que tomássemos a melhor decisão, afinal de contas, apesar de ser um grande sonho dele, ele sabia que mudar 5 pessoas para um país totalmente diferente, com lingua e costumes diferentes, não seria nada fácil.

Mas ao chegar a carta, Jesus nos deu uma paz muito grande no coração, e sabíamos que apesar de difícil, seria a melhor coisa a fazermos.

E aí começou todo o processo, de contar para os familiares e amigos (uma das partes mais difíceis que tivemos que fazer), começar a colocar todas nossas coisas a venda e fazermos todos os arranjos para a mudança.

O bom de ter sido transferência intra empresa é que não tivemos que nos preocupar com nada em relação à mudança, tudo foi pago pela Nestlé, por isso não tenho idéia de quanto custa esse tipo de mudança.

Fomos contactados pela empresa de mudança para agendarmos tudo. Depois tínhamos que conversar na escola dos meninos pois nos mudaríamos antes do final do ano letivo, colocar nossa casa a venda, achar uma igreja que gostássemos e isso não seria fácil, pois a igreja que íamos aí era muito especial... Muita coisa para pensar e fazer.

Nos preocupávamos com a escola, mas ao pesquisarmos vimos que o ano letivo aqui nos EUA se inicia em agosto, e pela idade dos meninos eles iriam começar no mesmo ano que estavam no Brasil, o que facilitaria um pouquinho pelo menos a vida deles, pois o conteúdo eles já saberiam, teriam "somente" que aprender o inglês.

Teríamos também uma pessoa de uma empresa especializada em realocação nos auxiliando para facilitar nossa chagada aqui. Fizemos algumas reuniões via telefone para nos colocar a par de algumas coisas e falarmos como seria quando chegássemos.

Temos alguns amigos que já moram aqui nos EUA (mas em outros Estados) que nos incentivaram muito com suas histórias de sucesso e até pesquisando coisas sobre Saint Louis, para nos deixar informados de como seriam as coisas por aqui.

E assim fomos de julho até outubro, reuniões, telefonemas, negociação de casa/carro/moto/móveis... 

E aí quando chegou outubro resolvemos fazer algumas festas de despedida, afinal de contas nossa ida seria sem volta. Fizemos festas para os amigos dos meninos da escola, afinal eles passariam seus aniversários longe de todos que conhecíamos. E doía ver os amigos dos meninos tristes pela partida deles. E no final as professoras deles fizeram vídeos e fotos com toda a turma para que eles não fossem esquecidos. Foi um gesto que nunca esquecerei, e essas professoras ficarão marcadas em nossa vida como elas nunca poderão imaginar (obrigada de novo Suelen e Kelly, vocês sempre serão especiais para nós).

Fizemos também festas para nossos familiares e jantares especiais com nossos amigos mais íntimos, e a cada encontro percebíamos o amor deles para com nossa família. E claro que a cada despedida ficava aquela dúvida se estávamos mesmo fazendo a coisa certa, pois sabíamos que a saudade seria enorme e iria doer muito sim, tanto para nós quanto para os meninos. Mas quando pintava a dúvida, orávamos e a paz voltava aos nossos corações. 

Sempre falávamos que nossa motivação de irmos era o sonho do Flávio mais que qualquer coisa, mas não posso negar que toda essa violência, falta de segurança, governo corrupto e socialista e todos os problemas gigantes que o Brasil tem foram levados em consideração sim na hora de tomarmos a decisão final. Queríamos sim dar uma melhor qualidade de vida para as crianças.

Os dias foram passando e conseguimos vender tudo, casa, carro, alguns móveis e tranqueiras que tínhamos, tínhamos achado (aparentemente) a igreja onde frequentaríamos quando chegássemos.  E então chegou o dia que a empresa de mudança viria para embalar nossas coisas e trazer para cá. Não vou negar que quando vi minha casa vazia, o caminhão indo embora para o porto me deu um nó na garganta enorme, e não consegui conter as lágrimas (pela 1ª vez). A casa onde morávamos em São Paulo era tudo o que eu sempre tinha sonhado, era minha casa perfeita, no lugar perfeito, e agora teria que entregar a chave dela para outra pessoa... Isso doeu muito, mais uma vez.

E aí ficamos os últimos dias na casa da minha mãe, para terminarmos de fazer todas as malas (que na verdade foram caixas, no total de 6 caixas enormes mais 3 malas de mão).

E então chega o grande dia, 1º de novembro, o dia da nossa partida. Tínhamos algumas coisas ainda pendentes como fechar conta em banco, deixar uma procuração para meu pai caso precisasse (pois a casa já estava vendida mas ainda faltava a documentação para recebermos o dinheiro), e acho que foi bom, pois corremos o dia todo não dando tempo de pararmos para pensar o que estava prestes a acontecer.

Mas como o tempo não para, como já disse o Cazuza (:-P) chegou a hora de irmos para o aeroporto, com a passagem só de ida na mão, deixando uma vida inteira para trás de felicidade para embarcarmos em uma vida cheia de promessas, mas até então incerta do que enfrentaríamos. Mas o nosso consolo é que sabíamos que Nosso Deus está no controle de todas as coisas, e que Jesus iria à nossa frente ajeitando tudo pois tínhamos a certeza que era da vontade dEle a nossa ida.

E então veio a pior sensação que já senti, ter que me separar dos meus pais e avós. Sempre que eu precisava minha mãe não pensava meia vez em vir me ajudar, saía a hora que fosse da casa dela para qualquer coisa que eu necessitasse. Mas a partir daquele momento eu não teria mais minha mãe para me ajudar. Não teria mais ninguém para quem ligar e pedir socorro. Seríamos só nós 5 em uma terra estranha sem nenhum conhecido. Não vou negar, aquela hora eu queria desistir sim, queria pegar minhas coisas e meus filhos e voltar para minha casa (que já não era mais minha) e esquecer toda essa besteira de morar fora do Brasil. Mas não podia, tive que me despedir dos meus pais (o que fiz com muuuuuitas lágrimas) e entrar naquele avião, somente com uma promessa de uma vida melhor, mas sem termos nenhuma real do que estaria nos esperando aqui.

E temos muuuuito a agradecer a todos nossos amigos e familiares, pois apesar de estarmos indo embora tivemos muita ajuda, que sem isso acho que não teríamos conseguido. Todos ajudaram como podiam. Sempre ouvi que quem tem amigos tem tudo, e com isso que passamos vivi isso na pele e afirmo, quem tem amigos e família, tem tudo! Todos vocês foram muito especais nesse momento, e oro sempre por cada mude vocês, pois foram usados por Jesus para nos dar segurança nesse momento tão incerto de nossas vidas.

E foi assim que entramos no avião, com muitas lágrimas nos olhos, uma saudade enorme da vida que tínhamos no Brasil mas com o coração em paz e uma esperança gigante, porque sabíamos que tudo daria certo sim, pois temos um Deus, Jesus, que nunca nos desampararia.

No próximo post conto como foi nossa chegada aqui e nossos primeiros dias, e depois vou contando como está sendo nossa vida aqui.

Mas já adianto uma coisa, apesar de toda a saudade (que é gigante sim) não me arrependo nem por um segundo ter vindo para cá!!!!

Até a próxima!

Ah, deixo aqui os vídeos feitos pelos amigos da escola dos meninos. Para vocês verem como eles são especiais!



Homenagem dos amigos e professoras do Davi


Homenagem dos amigos e professoras do Daniel



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