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Vida nos EUA

Muitos tem me escrito perguntando como estamos pois acharam "triste" meu último post. Mas sem querer dar "spoiler" sobre o final do post de hoje posso dizer que estamos MUITO bem, não me arrependo nem por um segundo de ter tomado a decisão de ter mudado para cá. Então hoje vou fazer um "resumão" de como tem sido nossa vida até aqui.

Nossa viagem em si foi até que tranquila, pois viajamos de business class (a empresa que pagou claro!) e as crianças puderam dormir mais até do que esperávamos.  Ao chegarmos em St Louis estávamos eu e o Flávio bem assustados, pois como disse no post anterior, não sabíamos o que esperar. 

No aeroporto tinha um motorista nos esperando para nos levar ao apartamento alugado pela empresa, e no caminho ele foi nos falando um pouco sobre a vida aqui, o que nos deixou feliz, pois ele garantiu que esse era um excelente lugar para se criar uma família. Ao chegarmos vimos que o apartamento era bem grande, muito maior que poderíamos esperar e tinha um espaço excelente para os meninos brincarem. Falamos com nossos familiares no Brasil para os tranquilizar que havíamos chegado bem, descarregamos as malas e pudemos falar "chegamos!".

Foi então aí que começamos a realmente fazer nossa mudança, pois tínhamos que transferir toda nossa vida para cá. Trazer coisas é fácil, o duro seria adaptar nossa família aos novos costumes e aprender como tudo funciona por aqui.

Como disse, hoje pretendo fazer só um apanhado de tudo, depois pegarei ponto a ponto e explicarei mais sobre cada um.

Meu primeiro desafio e uma das minhas maiores preocupações era com a alimentação. Sempre ouvia que aqui nos EUA a alimentação é péssima, achar alimentação saudável, ou alimentos frescos seria uma caça ao tesouro e eu teria que tomar muito cuidado para nós não sermos "consumidos" pela epidemia da obesidade americana.

Pois bem, chegando aqui vi que não é nada disso!! Pelo menos não aqui. Quando andamos na rua, a quantidade de pessoas obesas que vimos aqui é até menor que eu via andando em São Paulo! É muito difícil encontrar uma criança obesa, meus filhos em nada se "destoaram" (como eu achei que aconteceria) em relação ao peso e estrutura corporal.

E quanto a alimentação, aqui tem mercado especializado para tudo! Tem uma rede de supermercados que vende somente alimentos orgânicos, e o melhor de tudo, a um preço muito mais acessível que em São Paulo. Claro que se eu comprar no WalMart ou Sam's Club sairá mais barato, mas a diferença não é tão grande como em São Paulo e os benefícios superam em muito essa diferença. Então acreditem, aqui estamos comendo alimentos muito mais saudáveis, tudo que cozinho é fresco e orgânico e dificilmente compro algo pronto.

Óbvio que existe as "guloseimas" aqui e elas são DELICIOSAS! Vez ou outra eu e o Flávio não resistimos e nos rendemos a elas, mas eu continuo sendo "chata" e as crianças não tem acesso a isso, só o Davi que já tem 7 anos de vez em quando pede algo doce ou um lanche da rua, mas como ele é extremamente saudável e é MUITO de vez em quando, sei que não tem problema e acabo cedendo, porém a Sara continua sem experimentar açúcar e pretendo extender isso o máximo que puder (no mínimo até os 2 anos).

E com isso fiquei muito aliviada, pois essa questão da alimentação era um dos pontos "negativos" das considerações da mudança para aqui, mas vi que era bem diferente do que falavam. Um problema a menos.

Tínhamos também que encontrar uma casa o mais rápido possível, pois aqui a educação funciona por distrito escolar, ou seja, você só pode colocar seu filho na escola do distrito escolar de onde sua casa pertença. E apesar de que queríamos colocar os meninos numa escola cristã particular, ainda assim deveríamos primeiro achar a casa, pois eu não queria uma escola longe.

Pesquisamos sobre diversas localidades, tivemos que aprender como se compra casa aqui (apesar de termos uma pessoa daqui que estava nos auxiliando em todo o processo, o que facilitou MUITO) e percebemos que comprar casa aqui (isso inclui o financiamento) é bem mais justo aqui, mas não vou ficar falando disso, só uma observação importante: O preço das casas aqui é ABSURDAMENTE MENOR QUE EM SÃO PAULO! 

Decididos então a localidade, vimos várias casas até que achamos a casa que queríamos, do jeito que queríamos.

Com a casa decidida era hora de procurar a escola para os meninos. Pesquisamos muito, oramos bastante e acabamos decidindo colocá-los mesmo em uma escola cristã particular. Essa decisão foi tomada não pela qualidade do ensino (que é EXCELENTE, mas não vou falar sobre isso agora) mas por um desejo grande que eu tinha de colocar os meninos nesse tipo de escola desde o Brasil, porém aí eu não tinha condições financeiras para isso, e aqui foi bem mais tranquilo. E os meninos amaram a escola desde o primeiro dia, e aí sabíamos que tínhamos feito a escolha certa.

Tivemos que comprar dois carros, pois como a região que moramos é longe do trabalho do Flávio, eu precisaria de um carro também, e aqui, com esse frio, não tem como o Flávio ter moto (que era o que tínhamos no Brasil). E acho que nem preciso comentar, mas o valor que pagamos nos dois carros (uma van zero da Honda e um Corolla sport) foi quase o valor do único carro que eu tinha aí... E também foi super tranquilo, aqui você compra o carro e já sai com ele na hora da concessionária.

Outra coisa importante que tínhamos que achar era pediatra para os meninos, um GO de confiança e também um endócrino para mim pois tenho tireoidite de Hashimoto e preciso tomar hormônio minha vida toda.

Eu tinha uma preocupação grande com isso também, pois sabíamos que a medicina aqui é cara (e é BEEEM cara mesmo) e tinha ouvido que os médicos aqui são muito arrogantes. Bom, para resumir, achei excelentes médicos (também achei uns porqueiras assim como no Brasil) e a maioria deles SUPER simpáticos, solícitos e muito mais preocupados com o paciente. Fiquei muito feliz, pois tinha médicos excelentes aí no Brasil, mas sei que aqui também estou muito bem acessorada. E o valor? Tenho plano de saúde pela empresa, e mesmo as consultas, medicamentos e tratamentos serem bem mais caros que no Brasil, consultas de checkup anuais (tanto para a mulher quanto para as crianças) SÃO DE GRAÇA (isso pelo plano da empresa)!

Uma das últimas coisas que tinha ficado era o tratamento com a fono que o Daniel estava fazendo no Brasil e precisaria continuar aqui. Aí eu gastava um fortuna com o tratamento, mas que estava valendo a pena pois o Dani estava melhorando muito, então achei que aqui gastaria também.

Mas qual foi a nossa surpresa, quando levamos o Dani no pediatra ele nos indicou o centro de tratamento de deficiência no desenvolvimento infantil do distrito escolar, e esse tratamento seria de graça. Fiquei meio cética, achando que seria meio "comunitário" o tratamento por se tratar de uma escola do distrito, mas resolvi tentar, pois se não desse certo sei que o plano cobriria algumas sessões particulares.

Então ligamos, vimos que ele faria todo o screening para saber qual a extensão do caso dele e qual seria o melhor tratamento se ele assim precisasse. No dia fomos atendidas primeiramente por uma enfermeira que fez todos os testes de visão e audição e depois fomos para os testes da fala com a fono responsável pelo setor. Logo depois dos testes a fono já conversou comigo, dizendo quais os problemas do Dani e o que me deixou muito feliz foi que pelos padrões americanos o problema dele é leve, pois aqui se exige muito menos das crianças e a fala aqui só é considerada "completa" aos 8 anos! Então ele será menos exigido, com um tratamento mais tranquilo, personalizado (como tínhamos no Brasil), e o melhor, esse tratamento será feita na escola atrás da minha casa, de graça, e de excelente qualidade (pois eu já fui nessa escola e ela é maravilhosa). 

Agora já se passaram 5 meses que estamos aqui. Sei que é pouco tempo ainda, estamos nos acostumando com a rotina, aprendendo a lingua e a cultura, temos muito que aprender ainda, mas posso afirmar que não poderíamos estar mais felizes.

Os meninos estão super felizes na escola. O Davi já está falando super bem o inglês (o Dani nem tanto, mas sabíamos mesmo que ele teria mais dificuldade por causa da fala e também porque ele é mais tímido que o Davi), achamos uma igreja excelente, com pessoas muito amáveis e que tem nos ajudado muito. Enfim, já conseguimos adaptar praticamente tudo o que tínhamos no Brasil para cá e da melhor maneira possível.

A saudade dos familiares e amigos é muito grande sim, mas se não fosse por isso poderia dizer que nunca fui tão feliz como estamos sendo aqui.

Aqui tudo funciona bem, as pessoas se respeitam, são educadas e muito simpáticas, que era outra coisa que nos preocupava pois ouvíamos dizer que os americanos são "frios", que não teriam a alegria do brasileiro. Outra mentira! Ao chegamos aqui fomos mega bem recebidos e aceitos apesar de sermos estrangeiros. Quando alguém nota que não somos daqui eles falam mais devagar, e tentam de tudo para fazer com que entendamos o que eles estão falando (claro que existem as excessões). Ninguém nos olha torto ou nos discrimina por não sermos daqui, ao contrário, são super solícitos e fazem de tudo para nos sentirmos "em casa".

Como disse lá em cima, a conclusão que chego depois desses 5 meses da mudança é: não foi fácil, a saudade é grande, a adaptação foi difícil, mas eu não me arrependo nem por 1 segundo da escolha que fizemos.

Nos próximos posts falarem sobre cada assunto detalhadamente. E se quiserem saber de qualquer outro assunto é só me perguntar que terei o maior prazer em responder.

E se eu pudesse pegaria todos meus amigos e familiares e traria todos para morar aqui comigo, para verem como é bom viver num lugar com segurança, liberdade, respeito e educação.


Até a próxima.

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